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| Recife, Terça-Feira, 21 de Abril de 1998 |
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Secretário vai investigar comércio de ossadas DIÁRIO divulgou com exclusividade os negócios nos cemitérios do Recife O secretário de Serviços Públicos da prefeitura do Recife, Heraldo Borborema, disse ontem que vai abrir inquérito para investigar se há participação dos administradores dos cemitérios no comércio de ossadas. A matéria foi divulgada com exclusividade na edição do DIÁRIO DE PERNAMBUCO, do último domingo. O secretário garante que as penas podem variar de repreensão a perda do emprego. "Vamos agir com rigor". A denúncia feita pelo DIARIO também provocou o repúdio da população e de vários setores da sociedade. A igreja vê a prática como um sacrilégio. Pessoas que têm parentes enterrados no cemitério de Santo Amaro, um dos apontados pela reportagem, temem perder os restos mortais de seus entes queridos e pedem a punição dos culpados. DESCONFIANÇA Entre os funcionários do Cemitério de Santo Amaro, o clima é de desconfiança com a imprensa. Ninguém quer falar sobre o comércio ilegal, que se constitui num crime duplo, segundo a coordenadora de apoio das promotorias de Defesa da Cidadania do Ministério Público, Ângela Simões. "Neste caso ele responderá por violação (artigo 210) e furto (artigo 155), de acordo com o Código Penal", avisa. Ontem, primeiro dia útil após a denúncia, o chefe do Departamento de Necrópoles da Empresa de Limpeza Urbana, José Carlos Levy, começou a ouvir os suspeitos. Segundo ele, em Santo Amaro não há coveiro com nome de Carlos, de acordo com a reportagem. "Deve ser alguém de fora. Não proibimos a entrada de ninguém no cemitério", afirma. Perguntado se o criminoso poderia ter agido em parceria com um dos funcionários, Levy não quis se pronunciar. "Vamos investigar", disse. Quanto ao outro suspeito, identificado por Augusto, no Cemitério de Casa Amarela, será ouvido quarta-feira, por uma comissão formada por funcionários da Emlurb. "Temos um funcionário com este nome, mas ainda não está confirmada a participação dele", afirma. Segundo Levy, nem todos as pessoas que trabalham nos cemitérios são funcionários da prefeitura. Uma parte faz trabalho terceirizado. Segundo o diretor de Polícia Civil dePernambuco, Valdir Macedo, a Secretaria de Segurança Pública espera que a prefeitura ou a promotoria pública solicitem a abertura do inquérito policial. "No que serão prontamente atendidos", garante. Num rápido passeio entre os túmulos, é possível encontrar ossos da perna, soltos na areia, ou mesmo crânios, dentro de buracos próximo ao setor de covas rasas, onde se vê também roupas, mato e lixo. Segundo Levy, o trabalho de inspeção é feito pelo Departamento de Necrópoles em conjunto com a Vigilância Sanitária. A diretora do serviço, Maria Helena Barcelos, explica que muitas vezes as famílias não pegam os ossos de seus parentes num prazo de dois anos e eles acabam sendo enterrados sem identificação no cemitério. "As famílias também têm o dever de ir buscá-los. É questão de cidadania e de ecologia", critica. |
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