Recife, Terça-Feira, 21 de Abril de 1998

A dura realidade salarial

O que um mestre de obras, um pintor de automóveis e um professor universitário (com dedicação exclusiva à instituição de ensino) podem ter em comum? O valor do contracheque no final do mês pode ser uma das respostas. Sem grandes diferenças, os números mostram a realidade. Respectivamente, o salário médio é de R$ 745,00, R$ 700,00 e R$ 725,76. As condições sócio-econômicas também podem ser avaliadas pelo fato de que, um doutor, em início de carreira, com dedicação total à universidade e 40 horas aula por semana ganha R$ 1.700,00 e leva nada menos que vinte anos para atingir o salário de R$ 2 mil.

Tais condições mantêm, há uma semana, os 1.920 professores da UFPE e 520 da UFRPE em estado de greve. Segundo a Adufepe, 90% dos professores da Universidade Federal aderiram ao movimento. Já na Universidade Federal Rural, a paralisação é de 100%, apenas os alguns setores de pós-graduação e as pesquisas ainda funcionando, segundo o vice-presidente da Associação dos Docentes da UFRPE (Aduferpe), Arthur Carvalho.

Para a estudante Mônica Fontes, 22 anos, cursando o 8º período de publicidade, os professores deveriam ser ainda mais organizados. "Apesar da greve estar atingindo a grande maioria deles, alguns insistem em dar aulas. Acho que o movimento teria muito mais força se não houvesse os fura-greve", argumenta a estudante.

Apesar de prejudicados, os alunos, de forma geral, estão incentivando os mestres. Alguns, entretanto, não estão tão otimistas quanto às negociações. No 1º período de Economia, Régis Albuquerque, 22 anos, acha o movimento justo, mas não acredita em resultados positivos para os grevistas. Na sua opinião, "o governo não se elege com os votos dos professores e sim da população pouco instruída, que é a maioria no país. A pressão de uma greve, mesmo nacional, não vai dar em nada".

A própria reitoria reconhece que a sobrevivência de um professor que há três anos não tem reajuste é muito difícil. "Conheço alguns que caem nas mãos de agiotas. A pressão e as dificuldades acabam por atrapalhar o desempenho do profissional. O governo, por sua vez, não apresenta sequer uma esperança de reverter a situação de penúria econômica em que vivem", comenta Amílcar Bezerra, da vice-reitoria da UFPE.

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