Recife, Terça-Feira, 21 de Abril de 1998

Professores de Direito aderem à greve da UFPE

A última paralisação dos docentes da instituição foi realizada em 1984

Pela primeira vez, desde 1984, o corpo docente da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco aderiu de forma maciça a uma greve nacional dos professores universitários. Ao todo, cerca de setenta professores suspenderam, ontem, as aulas até a próxima segunda-feira (27), quando uma nova assembléia irá decidir os rumos do movimento. Segundo o professor e doutor em Direito Maurício Rands, que ganha R$ 800,00 por mês, os seiscentos alunos e sessenta servidores públicos da Faculdade também apoiam a greve geral e as reivindicações da categoria em todo o país.

"Normalmente cursos como Direito, Medicina e Odontologia não param por que a maioria dos seus professores dedicam-se em tempo parcial à universidade, tendo outras ocupações como consultórios e clientes particulares", explica o presidente da Associação dos Docentes da UFPE (Adufepe), Jaime Mendonça. Desta vez, entretanto, só Odontologia ainda não parou, enquanto que o restante dos cursos estão com suas aulas interrompidas, deixando cerca de 20mil estudantes da UFPE e 5.984 da UFRPE sem aulas, há uma semana.

Para a concluinte Juciana Figueiredo, 24 anos, a formatura de Licenciatura em Matemática não vai acontecer no próximo mês de julho, como o previsto. Mesmo com a monografia de conclusão do curso em dia, a disciplina de psicologia ainda está em andamento. "A paralisação repercute de forma direta nos alunos e não no governo federal que não está sendo prejudicado como nós estudantes. Acredito que eles não estejam com muita pressa em resolver o problema", queixa-se Juciana.

Segundo o vice-reitor substituto da UFPE, Amílcar Bezerra, a apreensão de Juciana tem fundamento. O Ministério da Educação e da Cultura (MEC) não mostra sinais de querer resolver o impasse em que estão as negociações. O reajuste salarial exigido é de 48,65% para docentes e pessoal administrativo. "O MEC diz que este é um problema puramente econômico e quer passar a questão para o Ministério da Fazenda ou para o Planejamento. Não sabem nem quem vai tratar do assunto", comentaBezerra.

O Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Federais de Pernambuco (Sintufepe) garante que 40% dos 3.700 servidores da Federal também estão paralisados e que, até o final da semana, serão 60%. "Estamos entrando no processo de mobilização também dos 1.200 servidores do Hospital das Clínicas", disse o coordenador de divulgação do Sindicato, Everaldo Araújo. Ele explicou que além do reajuste salarial, a greve exige o plano de carreiras unificado para a categoria, o repúdio à autonomia financeira e gerencial das universidades federais que consequentemente, levaria à terceirização dos serviços.

Dentro da programação do movimento grevista, está prevista uma caminhada cívica que se realizará hoje, a partir das 9h. Saindo da Pracinha de Boa Viagem, professores, alunos e pessoal administrativo da UFPE e da UFRPE irão percorrer a avenida Boa Viagem fazendo panfletagem para a conscientização e mobilização da sociedade. Amanhã, dia 22, acontecerá uma assembléia geral, 15h, no Centro de Ciências Sociais Aplicadas da UFPE. Na ocasião, a paralisação será analisada e propostas novas atividades.

Na quinta-feira (23), às 9h, será promovido um ato público, na Faculdade de Direito do Recife. Os professores darão um título de repúdio ao presidente Fernando Henrique Cardoso, em virtude da política adotada que gerou a crise nacional nas universidades. Logo após, seguirão para a Delegacia Regional do MEC, no Recife, para protocolar o título e devolver os livros publicados pelo presidente. A Adufepe alega que não é justo continuar com os livros de um presidente que não tem interesse em melhorar as universidades.


A dura realidade salarial

Fale conosco diario@dpnet.com.br

MAPA BRASIL ECONOMIA ESPORTES HISTÓRIA HUMOR
INFORMÁTICA INTERIOR MUNDO VEÍCULOS VIAGEM VIDA URBANA VIVER