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| Recife, Terça-Feira, 21 de Abril de 1998 |
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Escolas são alvo da violência Pernambuco lidera o ranking das unidades públicas de ensino que enfrentam atos de vandalismo, roubos e furtos Erilene Araújo Já virou rotina. Diariamente, os funcionários da escola Leôncio Gomes, em São Lou- renço da Mata, voltam para casa por volta das 20h30. Duas horas antes de encerrar o expediente. Motivo: medo dos tiroteios e da violência que tomam conta das ruas, comércio e colégios da cidade. "Sair incólume, só rezando muito", lamenta a secretária da escola, Rejane França. E ela explica: "não há vigias para conter os bandidos, proteger funcionários, professores e alunos de qualquer agressão". É por falta segurança e ações do governo, que Pernambuco assumiu a liderança do ranking nacional de violência nas instituições públicas de ensino. Atos de vandalismo, roubo e furto vêm sendo registrados em 73,9% das escolas do estado. Os números não param por ai. Segundo a pesquisa encomendada pela Confederação Nacional de Trabalhadores em Educação (CNTE) à Universidade de Brasília (UnB), 77,8% dos colégios pernambucanos não dispõem de segurança externa ou na área (bairro). O levantamento registra que os atos de vandalismo não são provocados apenas por alunos ou pessoas de dentro das escolas. A estimativa revela que mais de 58% dos casos registrados no Nordeste foram provocados por pessoas estranhas à instituição de ensino. Mesmo assim, a preocupação maior das escolas é aumentar o muro, passar a chave no portão ou contratar um vigia para fazer a segurança dentro da instituição. Os investimentos em vigilância interna são registrados em 78,3% dos estabelecimentos do estado. Entretanto, o coordenador geral do trabalho, Wanderley Codo, avisa: nada disso resolve o problema. "Investimentos em recursos de segurança interna não conduzem à obtenção de uma escola mais segura", destacou. O que é necessário, disse, é articulação com a comunidade, para que ela proteja a escola. Mais: escolas maiores exigem mais atenção. À medida que aumenta o tamanho do estabelecimento, também cresce a ocorrência de roubos, furtos, vandalismo e agressões ao patrimônio. Nos colégios com até 600 alunos, a incidência de problemas atingem a 12,6% dos estabelecimentos. Quando a instituição de ensino possui mais de 2,2 mil estudantes, o número pula para 34%. Quem segue Pernambuco nos altos índices de violência nas escolas é o Acre (71,4%), na região Norte, e o pequeno estado de Sergipe, o menor do país (71,4%). Ao contrário das outras regiões do país, o maior índice de violência registrado nas escolas do Nordeste estão concentrados nas cidades do interior do estado (61%) e não na capital. Ruim para a região, que hoje figura como líder nacional em atos de vandalismo e roubo. O problema acomete 59,8% dos estabelecimentos de ensino. A região está à frente do Sudeste (54,3%) e Sul (54,2%) do país, segundo e terceiro colocados. RELATÓRIOS De acordo com Wanderley Codo, a pesquisa Relações de trabalho, organização e saúde dos trabalhadores em educação vem sendo realizada há dois anos. Das 52 mil entrevistadas, 1,3 mil foram feitas em Pernambuco. Foram investigadas 1,4 mil escolas em todo o país, sendo 51 no estado. Até o momento, foram elaborados seis relatórios, que estão disponíveis no site da CNTE: www.brnet.com.br. Outros 16 relatórios serão elaborados nos próximos meses. |
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