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| Recife, Terça-Feira, 21 de Abril de 1998 |
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Mortes no presídio Aníbal Bruno Dois presos são as vítimas fatais depois de uma tentativa de fuga ontem à tarde Mais uma tentativa de fuga no Presídio Professor Aníbal Bruno deixou o saldo de dois mortos. Ontem por volta das 16h, os presos José Carlos Pereira da Silva, 30 anos, conhecido como Sofia e seu companheiro de pavilhão, Josimar Figueira da Silva, 31 anos, vulgo Jorge Gordo, tomaram a arma do soldado Reginaldo Barbosa e começaram a atirar contra a segurança interna. Os dois marginais travaram uma luta corporal com o soldado, que conseguiu escapar com vida. Durante o tiroteio, os detentos acabaram sendo mortos pelos policiais militares. Em menos de um mês, outros dois detentos e o soldado Joel Jorge Pereira da Silva foram mortos no dentro do presídio. O soldado Reginaldo informou que estava recolhendo o pessoal do banho de sol, quando a confusão teve início. "O Jorge Gordo tomou minha arma e começou a me bater. Graças a Deus consegui me soltar. Sofia estava com uma faca", comentou. No momento em que Reginaldo livrou-se dos marginais, os outros policiais começaram a trocar tiros. "Os presos foram muito audaciosos ainda deram quatro tiros contra a equipe da PM", ressaltou o soldado. De acordo com Reginaldo, os detentos já haviam planejado a fuga. "Eles estavam conversando desde cedo. Esperaram apenas por um vacilo dos policiais", declarou. O soldado Reginaldo falou, ainda, que a situação da segurança do presídio é precária. "Estamos trabalhando com apenas 19 homens, por isso é quase impossível controlar o grande número de presos", disse. O diretor do presídio, o capitão Roberto Galindo, informou que o procedimento realizado pelos PMs foi correto. "Não houve execução. Os policiais apenas cumpriram com o dever de garantir a segurança no local", justificou. Ontem, a população carcerária do Aníbal Bruno era de 2.086 presos, enquanto a capacidade máxima é de 470. De acordo com Galindo, para conter a sucessão de rebeliões no presídio seria necessário reduzir a quantidade de presos. "Já estamos aguardando a transferência de alguns detentos", garantiu. Capitão Galindo disse ainda que tem trabalhado para amenizar astensões no presídio. "Tentamos evitar ao máximo as rebeliões já que a população que reside próximo ao Aníbal vive amedrontada". Os dois detentos cumpriam pena por assalto à mão armada. Sofia já tinha duas passagens pelo presídio, a última entrada aconteceu no dia 13 de agosto de 1996. Jorge Gordo estava condenado desde fevereiro de 92. Eles estavam no pavilhão B nas celas dois e quatro. Por razões de segurança interna, o capitão Galindo não revela a quantidade de policiais que fazem a guarda do Aníbal Bruno, mas deixa claro que ela não é suficiente. "O ideal, numa situação de confronto, é que a proporção entre guarnição e preso seja de dois para um", afirmou. Depois das 17h, o clima dentro do Aníbal Bruno ficou mais calmo. O jantar dos detentos foi servido normalmente. Para garantir a segurança, duas viaturas da equipe do Centro de Operações Especiais da PM, além de 50 policiais militares e dez civis permaneceram na área. |
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