|
|
| Recife, Terça-Feira, 21 de Abril de 1998 |
|
|
Estuário é loteado na Estância No Recife outra área de manguezais está ameaçada. Em um espaço de 2 mil metros quadrados, próximo à antiga fábrica Iolanda, na Estância, cerca de cem famílias vem loteando um manguezal para a construção de casas. Na maior parte são moradores da vizinhança que alegam não poder arcar com o preço dos aluguéis. "Eu trabalho como doméstica ganhando R$ 80,00 por mês porque lá posso deixar meus três filhos que não têm para onde ir. Como posso pagar uma casa?" questiona a pretendente a moradora da localidade Maria da Silva, de 26 anos. A notícia de invasões naquele terreno vem atraindo gente de outros lugares. Há uma semana, o cortador de cana desempregado José Carlos Cavalcanti da Silva, 39 anos, está alojado numa praça com a mulher e quatro filhos menores enquanto aguarda conseguir um terreno. "Em Ipojuca, ouvi dizer que tinha terra aqui, então eu vim tentar", diz. Numa visita à área, o Ibama autuou o empresário Fábio Rodrigues da Silva, que iniciou as obras de um motel, e a empresa de limpeza de fossas Jasp,ambos por aterro e desmatamento de manguezal. A maior parte dos proprietários compraram os lotes da Imobiliária Juarez Miller. "Quem comprou aqui perdeu, porque não pode construir nada", desabafa Neilson Abdon de Andrade, um dos proprietários de lote. A área é de interesse ambiental e a construção só é permitida com autorização especial da Prefeitura. A diretoria de Controle Urbanístico (Dircon) da Prefeitura do Recife disponibilizou fiscais para evitar invasões na área. "Não temos onde morar. É só os fiscais sairem e a gente volta. Se for preso um, vão todos", promete uma das pretendentes a posseira, que não quis revelar sua identidade. |
|