Recife, Terça-Feira, 21 de Abril de 1998

Esquerda da Colômbia é atacada

Em três dias, um advogado defensor dos direitos humanos e uma ex-líder comunista foram assassinados

BOGOTÁ - Movimentos políticos, sindicatos e organizações não governamentais denunciaram, ontem, uma campanha de extermínio contra líderes de esquerda na Colômbia. A intenção seria desestabilizar o país para justificar uma intervenção militar norte-americana.

As denúncias surgiram após os assassinatos de um advogado defensor dos direitos humanos e de uma ex-líder comunista, em uma escalada de violência política que também visaria sabotar as eleições presidenciais no país.

Sábado, três pistoleiros - dois homens e uma mulher - assassinaram o advogado Eduardo Umana Mendoza, defensor de sindicatos e guerrilheiros de esquerda.

INTERVENÇÃO

Um dia antes, María Arango, ex-dirigente do Partido Comunista, foi assassinada por pistoleiros em um povoado nos arredores de Bogotá. "Partindo da possibilidade de uma intervenção estrangeira na Colômbia, o governo tem uma lista com cerca de quarenta nomes, planejando assassinar essas pessoas para propiciar condições para a intervenção", disse Wilson Borja, presidente daFederação Nacional de Trabalhadores a Serviço do Estado.

"Pelas vítimas, parecemos estar voltando a uma sucessão de crimes como a ocorrida na década de 80. Serão escolhidas pessoas para golpear a esquerda, a luta pelos direitos humanos e os setores interessados em um processo de paz", acrescentou o sindicalista.

ACUSAÇÃO

Borja acusou a direita, representada por grupos paramilitares, pelo assassinato de Mendoza e pela suposta campanha de extermínio que estaria sendo preparada.

 Há três semanas fala-se na Colômbia sobre a possibilidade de uma intervenção militar estrangeira para combater a violência das guerrilhas e sua crescente aliança com o narcotráfico. Essas versões foram negadas pelos governos da Colômbia e dos Estados Unidos.

O sindicalista Hernando Hernandez também denunciou uma estratégia fascista, militar e paramilitar com o intuito de cometer assassinatos em série contra pessoas importantes ligadas à defesa dos direitos humanos, ao movimento sindical e a partidos políticos de esquerda.

Emmeio às denúncias, foi noticiada a partida para a Espanha do assessor presidencial para a paz, José Noé Ríos, devido a ameaças de morte contra ele.


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