Recife, Terça-Feira, 21 de Abril de 1998

Tony Blair promete ajuda aos palestinos

Premier propõe grupo europalestino contra a violência

CIDADE DE GAZA - O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, se reuniu, ontem, em Gaza, com o presidente palestino, Yasser Arafat, para oferecer ajuda européia na luta contra a violência. Arafat recebeu Blair em seu gabinete na Cidade de Gaza, sem que os dirigentes tenham feito declarações prévias ao encontro.

Blair e Arafat devem assinar um acordo para criar uma comissão de segurança europalestina para ajudar no treinamento da polícia palestina na luta contra o terrorismo. Segundo diplomatas europeus, ele espera também poder tirar do atoleiro o processo de paz israelense-palestino, especialmente o aeroporto da Faixa de Gaza, que se encontra em fase de construção.

ACORDO

Anteontem, em Israel, Blair obteve o acordo de seu colega, Benjamin Netanyahu, para participar, no próximo 4 de maio, em Londres, de reuniões patrocinadas pelos Estados Unidos e destinadas a reativar o processo de paz bloqueado há um ano.

Segundo um colaborador ligado a Netanyahu, o chefe de governo israelense, bem como o presidentepalestino, terão entrevistas com a secretária de Estado americano, Madeleine Albright, para tentar obter um acordo sobre as retiradas militares israelenses na Cisjordânia.

O representante israelense também evocou uma possível reunião Albright-Netanyahu-Arafat sob os auspícios da Grã-Bretanha, que exerce a presidência rotativa da União Européia.

No entanto, um dos principais negociadores palestinos, Saeb Erakat, excluiu a possibilidade de uma cúpula Netanyahu-Arafat. "Há propostas americanas pendentes e se Netanyahu quer que as discussões avancem, não tem outra alternativa senão aceitá-las, sem o que uma reunião de cúpula serviria apenas para simular um certo avanço".

PROPOSTAS

Blair também pressionou Israel para que aceite as propostas americanas, às quais qualificou de marco apropriado. Segundo os meios de informação israelenses, os EUA vão propor uma retirada de 13% na Cisjordânia e uma redução da colonização que caminharia lado a lado com uma luta mais importante de Arafat contra os grupos armados.

Netanyahu, por sua vez, quer limitar esta retirada a 9% da superfície da Cisjordânia. Arafat reivindica uma retirada de 30% da Cisjordânia. O emissário americano para o Oriente Médio, Dennis Ross, é esperado na região, sexta-feira, para tentar fazer com que tos dois líderes aceitem as propostas americanas.

Netanyahu informou ao seu gabinete sobre a proposta britânica. Os ministros continuam se opondo a ceder 13% da Cisjordânia, segundo o vice-ministro da Defesa, Silvan Shalom. Netanyahu teve que dar garantias a seus ministros de extrema-direita, de que as conversações de Londres não seriam uma nova conferência internacional de paz.


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