(Atualizado no dia 17/4/1998)

A arte de Artur Valdevino

O artesão do Alto do Cheiroso, em Petrolina, quer o apoio de seu povo

Carlos Laerte
Especial para o Diario

Um artesão da madeira e da palavra. Esta é a mais convincente definição para o artista cearense Artur Valdevino, que já mora a beira do Velho Chico desde os idos de 1943 quando chegou à Petrolina fugindo da seca e do medo da Segunda Grande Guerra Mundial. Na "Terra Prometida", ainda pequeno, ele já fazia seus próprios brinquedos com uma propriedade espetácular e características muito próprias.

Ao dom de transformar a madeira bruta em carrinhos, aviões e piões, se somou mais tarde a qualidade de fazedor de versos com livro pronto para a publicação e declamador entusiasmado , capaz de recitar com desenvoltura os mais belos sonetos da velha Antologia Brasileira. Hoje, aos 56 anos de "sonho e de chão " o artista é um artesão de renome em todo Vale do São Francisco, já tendo representado Petrolina em diversos encontros e festivais nacionais e internacionais com seus trabalhos sui generis em miniaturas, ressaltando a velha Maria Fumaça como um grito pelo seu banimento nos sertões brasileiros.

E esta preocupação não se limita a concepção de peças que já fazem parte de coleções de arte dentro e fora do Brasil. O artesão-poeta também externa em versos a importância e a beleza dos antigos trens; "E a Maria Fumaça, tinha pose e tinha graça, rangendo em cima dos trilhos, qual uma mãe cuidadosa, vinha e partia orgulhosa, no colo, levando os filhos".

Seu ateliê, uma extensão da pequena casa de três cômodos na rua do Tambor, 106, bairro do Alto Cheiroso, é uma verdadeira oficina profissionalizante, onde já se formaram promissores talentos artísticos da região. A casa do Mestre é visitada diariamente por turistas e curiosos que querem ver de perto todo o processo de criação e a versatilidade dos trabalhos lúdicos e decorativos como helicópetros, oratórios, placas entalhadas, logo-tipos , souvenirs e troféus.

Nos últimos anos o artesão tem sido procurado pela criatividade com que vem fazendo troféus em acrílico e madeira que são largamente procurados para grandes acontecimentos. Seus troféus geralmente contam histórias do evento, resgatando ainda os valores patrimoniais do Vale como o rio, a catedral, a caatinga e a irrigação.

Artur Valdevino relata que o dia a dia é muito dificil. "É uma vida de altos e baixos. Um dia vendemos bem nossas peças e passamos, muitas vezes, semanas inteiras sem vender um único trabalho. Não somos devidamente valorizados em nossa terra e por isso temos que viajar para vender lá fora, onde se dá muito mais valor ao nossa trabalho", afirma.


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