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| Recife, Terça-Feira, 21 de Abril de 1998 |
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Oferta maior que a demanda Saulo Moreira Não fosse a participação do governo do estado com seus 65 mil servidores que ganham até três salários mínimos, o convênio assinado ontem teria sido apenas mais oportunidade de os empresários da construção civil bombardearem a atuação da Caixa Econômica Federal (CEF). E na presença do presidente da entidade, Sérgio Cutolo. Aumentar o prazo de pagamento do empréstimo de cinco para oito anos, incrementar as verbas de R$ 6 milhões para R$ 18 milhões e tentar chamar a atenção dos funcionários públicos para a linha de financiamento tem uma razão bem simples: a oferta estava maior do que a procura. Durante seu discurso, Cutolo destacou que este acordo de cooperação técnica firmado em Pernambuco era o de maior penetração nas classes mais populares. Mais do que na Bahia, em São Paulo e no Rio de Janeiro. O que não foi dito é que antes mesmo de anunciar o programa ontem, como se fosse uma coisa espetacular e nova, a Caixa já havia dito que iria intensificar os empréstimos para que as pessoas físicas que ganham até três salários mínimos comprem o saco de cimento, os tijolos e as telhas da tão sonhada casinha própria. Desde o início, a idéia da Caixa é firmar convênios com prefeituras e mercado varejista. Ou seja, o dinheiro já estava disponível mesmo antes de Cutolo e Miguel Arraes posarem para os fotógrafos. Assim, a novidade agora é que os servidores da administração direta e indireta vão ser prioridade. Pelo menos é isso que dizem. Não será difícil ver os cartazes colados nos elevadores das repartições públicas, mais ou menos assim: "A Caixa e o governo firmaram convênio para você comprar ou reformar sua casinha". Bom para Cutolo, que sabe bem fazer seu marketing, e bom para o governo, que tenta ficar bem com seus empregados. As eleições estão chegando. |
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