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| Recife, Terça-Feira, 21 de Abril de 1998 |
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Anúncio decepciona empresários Além de anunciar o Programa de Carta de Crédito para Aquisição de Material de Construção, a Caixa Econômica Federal reuniu representantes da construção civil para discutir metas de geração de emprego no setor. Os empresários que foram ao fórum esperando a definição de uma nova política que aqueça o segmento, entretanto, saíram decepcionados. Nada de novo foi anunciado pelo presidente da CEF, Sérgio Cutolo. Os empresários só fizeram criticar a atuação da Caixa Econômica. Nem o anúncio de que a Caixa pretende financiar até 100% do imóvel na planta animou os empresários da construção civil de Pernambuco. Pelo contrário. O novo mecanismo de financiamento, através do qual o crédito vai direto para o comprador, sem passar pelos construtores, não encontrou uma boa receptividade da platéia. "Desde da época de Collor, quando explodiu alguns escândalos com empreiteiras, os empresários ficaram estigmatizados como pessoas que não podem colocar a mão em dinheiro", reclamou o vice-presidente do Sindicato das Indústriasda Construção Civil de Pernambuco (Sinduscon-PE), Antônio Carrilho. PILOTO O projeto da Caixa, que já está sendo implantado em escala piloto em São Paulo, prevê a concessão do crédito para financiamento da casa própria de uma forma diferente da atual. Ou seja, enquanto a construtora não começa as obras, o dinheiro fica guardado numa conta vinculada ao mutuário. Existe também um seguro que obriga as construtoras a entregarem o empreendimento no prazo combinado. De acordo com o novo sistema, os empresários têm ainda que pagar 25% de caução referentes a cada parcela do financiamento liberado. "Isso foi feito para não funcionar. Afinal, quem está contraindo o empréstimo é a empresa ou o comprador?", questiona Carrilho. Até agora, a CEF só financia de 70% a 90% dos imóveis e o valor não pode ultrapassar R$ 90 mil. Com o novo sistema, será possível financiar o valor total do imóvel. Como o novo mecanismo não foi normatizado, o valor em dinheiro ainda não foi estipulado. O empresário Jorge Côrte Real, ex-presidente do Sinduscon, também não está nada confiante com os projetos da Caixa Econômica. "Esse seguro que estão querendo inventar pede a ficha cadastral de todos os sócios da empresa. Não vai funcionar nunca", queixa-se. "Vim aqui para externar as dificuldades do setor e fazer sugestões e não pude nem debater porque as perguntas tinham que ser por escrito", completou Côrte Real. |
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