Recife, Terça-Feira, 21 de Abril de 1998

Economia japonesa dá sinais de deflação

TÓQUIO - A economia japonesa começa a dar claros sinais de deflação - declínio nos preços de mercadorias e serviços. O Banco do Japão divulgou, ontem, que o índice de preços no atacado caiu 2,1% nos 10 primeiros dias de abril com relação ao mesmo período em 1997. O banco também divulgou que os preços de produtos importados caíram 7,4%, como resultado das desvalorizações das moedas asiáticas durante a crise iniciada no ano passado.

Da mesma maneira que a inflação, deflação é um fenômeno perverso para as companhias e para a economia de um país. Afetados pela queda no consumo, as empresas reduzem a produção e abaixam preços abaixo dos custos para manter a competitividade. A queda dos preços no atacado nos primeiros dias de abril foi considerada particularmente perigosa.

O dado foi o primeiro a comparar dois períodos posteriores ao aumento da carga tributária sobre o consumo determinada pelo primeiro-ministro Ryutaro Hashimoto em abril de 1997. O imposto subiu de 3% para 5%. Até março de 1998, os índicesde inflação eram comparados com períodos de 1997 anteriores a esse aumento. Portanto, imaginava-se que as reduções resultavam daquele aumento nos impostos. Ou seja: comparava-se um período anterior ao aumento do imposto com outro posterior a esse aumento.

Agora, sabe-se que os preços estão caindo independentemente da mudança da carga tributária. As bolsas e o iene caíram levemente hoje. O mercado está esperando pelos detalhes do pacote de 16 trilhões de ienes (US$ 124 bilhões, ou 2% do PIB japonês) anunciado em 6 de abril passado pelo governo para estimular a economia. Desse valor, US$ 4 trilhões serão cortes de impostos (dois trilhões para esse ano mais dois para o ano que vem), principalmente para as pessoas físicas.

No Japão, o governo anuncia antes o valor do pacote e depois os seus detalhes. Além de reduzir os impostos, o governo não tem muito mais o que fazer para estimular seus consumidores a comprar. Em março, as vendas nas lojas de departamento caíram 21% comparado com o ano passado. O desemprego está em 3,6%, o índice mais alto na história do Japão. As taxa de juros básicas -cobradas pelo governo dos bancos- estão em 0,5%, um valor extremamente baixo, mas mesmo assim poucas pessoas estão dispostas a se comprar.


Atividades sofrem redução

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