Recife, Terça-Feira, 21 de Abril de 1998

Adversários criticam petista

Inimigos pefelistas e até companheiros do PT condenaram declarações de Rubem em entrevista ao Diário

Três grupos políticos diferentes reagiram, ontem, às declarações feitas pelo deputado estadual Paulo Rubem Santiago (PT), numa entrevista publicada pelo DIÁRIO nesta segunda-feira. Na opinião de petistas, socialistas, peemedebistas e pefelistas, a performance do polêmico deputado é uma estratégia com fins eleitoreiros. Rubem classificou o governo Arraes de aético, condenou o apoio de algumas tendências do seu partido ao PSB de Miguel Arraes e ainda disse que o PFL e o PMDB foram omissos no caso dos precatórios, por falta de competência.

"Paulo Rubem está se especializando em ser juiz da honra alheia, seguindo um caminho leviano de proferir denúncias de cunho eleitoreiro, ao invés de ouvir o julgamento dos canais competentes", rebateu o deputado Pedro Eugênio (PSB), aproveitando para afirmar que "sobra oportunismo" ao petista. Pedro Eugênio usou ainda uma acusação envolvendo integrantes do PT como arma de contra-ataque. "Seria o mesmo que afirmar que ele e o deputado João Paulo (PT) se apropriavam do saláriode seus funcionários simplesmente baseados nas denúncias que foram feitas recentemente nesse sentido", alfinetou.

ARGUMENTOS

"Ele tem que definir primeiro se está sendo oportunista, eleitoreiro ou incongruente", cobrou o presidente regional do PFL, André de Paula. O pefelista acredita que o apoio dado por Paulo Rubem na candidatura passada a Arraes descredencia o petista das críticas. "É uma voz sozinha no PT, além do mais, ele ajudou a viabilizar a eleição de um governo que se dizia popular. Essa é a nossa diferença: ele legitimou o governo Arraes", afirmou. "Deveria estar se preocupando com os problemas do PT. Como não faz isso, sai atirando para todos os lados. Ele só quer ser o dono da verdade", comentou a deputada Tereza Duere (PFL).

FATO CONSUMADO

O vereador petista Dilson Peixoto, que faz parte da tendência Articulação Unidade na Luta, também naõ gostou das críticas lançadas ao partido pelo apoio que tem sido dado ao governador Miguel Arraes. Mais uma vez, as intrigas internas do PT foram expostas. "Se o partido decidir apoiar o PSB qual será o posicionamento de Paulo Rubem?", questionou o vereador, em tom de desafio. De acordo com Dilson Peixoto, o deputado está utilizando como estratégia a política do fato consumado. Na verdade, segundo Peixoto, é o mesmo artifício usado em 96, quando, "prevendo a derrota do seu nome na escolha do candidato a prefeito na convenção, criticou Arraes para não viabilizar a aliança com o PSB".

"Ele está fazendo tudo para aparecer, porque quer virar uma vedete. É uma incoerência, já que participou do terceiro mandato do Arraes, quando já tinha conhecimento de como era", acusou o vereador João Negromonte (PMDB).

O único que partiu em defesa de Paulo Rubem e que ratificou as críticas feitas por ele foi o vereador Sérgio Leite (PT), da Democracia Socialista, a mesma tendência do deputado. Para Leite, não se justifica os votos favoráveis dados por peemedebista e pefelistas a projetos como a privatização do Bandepe. "Ele manteve a coerência", acredita Sérgio Leite, descartando a possibilidade de uma candidatura de Paulo Rubem ao governo estadual.


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