Recife, Terça-Feira, 21 de Abril de 1998

Indefinição no Ministério

BRASÍLIA - Empresários, advogados e especialistas no setor especulam sobre a efetivação do ministro interino das Comunicações, Juarez Quadros do Nascimento, secretário-executivo do ministério, como responsável definitivo pela pasta, com a morte do ministro Sérgio Motta, mas ainda não há definição sobre a sucessão. É citado também o nome do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luiz Carlos Mendonça de Barros, que desde a semana passada comanda a Comissão Especial de Supervisão de Privatização do Sistema Telecomunicações Brasileiras (Telebrás).

Barros, amigo pessoal e confidente de Motta, despacha desde a semana passada no oitavo andar do Ministério das Comunicações. Ele decidiu que só deve tratar dos assuntos do BNDES às segundas e sextas-feiras, no Rio. Cabe a ele as principais decisões sobre o processo de privatização das empresas do Sistema Telebrás. A presidência da comissão era de Motta, a quem era dada a última palavra.

Até o momento, não houve atraso no cronograma elaborado por Motta para a venda da Telebrás. O futuro ministro terá de se preocupar em manter as datas e tomar as decisões estratégicas que ainda faltam. Barros, por exemplo, é quem vem discutindo com a Presidência da República o limite da participação do capital estrangeiro nas empresas que assumirem a estatal.

Para investidores, a saída de Motta não representa quebra no processo. Um documento do Ministério das Comunicações revela que ainda restam 21 eventos até se completar a privatização do Sistema Telebrás. Destes, 12 são atribuições exclusivas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que independem da figura do ministro.


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