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| Recife, Terça-Feira, 21 de Abril de 1998 |
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O fim de uma profunda e tumultuada amizade BRASÍLIA - A morte do ministro Sérgio Motta põe fim a uma amizade fiel de quase três décadas com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Nesses quase 30 anos de amizade profunda e relação tumultuada no campo político, social e econônico, Fernando Henrique teve de contornar várias crises provocadas pelo trator Motta. Os dois se conheceram na década de 70, quando o então empresário Sérgio Motta financiava o histórico jornal de resistência ao regime militar, O Movimento, onde FHC atuava no conselho editorial. Como um mecenas, Motta também dava dinheiro para manter o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento(Cebrap), onde Fernando Henrique e dona Ruth Cardoso trabalhavam após o exílio no Chile e na França. Mais tarde se associou ao presidente na compra de uma pequena fazenda em Buritis, a 60 quilômetros de Brasília. Ao contrário de José Serra e de Fernando Henrique, Sérgio Motta sempre atuou na retaguarda para apoiar a vida pública dos dois amigos. Falastrão, polêmico e com estilo franco, muitos dizem que ele é a própria voz de Fernando Henrique quando critica, cobra e dispara na direção do Congresso e dos aliados do Governo. Apesar das muitas trapalhadas políticas, Motta nunca escondeu que tinha carta branca para demitir, negociar com o Congresso e dar os puxões de orelha que o presidente não podia dar. Raras vezes Fernando Henrique teve de ir a público repreender Motta. Em duas oportunidades Fernando Henrique deu mostras públicas de irritação com declarações de Serjão. Mas nos encontros reservados dava boas gargalhadas e se solidarizava com o ministro. Esse comportamento estimulava o ministro a voltar a campo novas vezes, com suas críticas ácidas, provocando novas crises. A primeira vez que o presidente desautorizou Serjão, em público, foi quando ele criticou a primeira-dama Ruth Cardoso, dizendo que o programa Comunidade Solidária era uma "masturbação sociológica". Em viagem a Nova Iorque, o presidente mandou o porta-voz Sérgio Amaral declarar que o ministro deveria limitar suas declarações à sua área de atuação. Na segunda vez, o próprio Fernando Henrique teve de descer pessoalmente ao segundo andar do Palácio do Planalto para, em entrevista coletiva, dar uma satisfação ao PFL e ao PMDB, que cobravam providências para calar Serjão. |
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