Recife, Terça-Feira, 21 de Abril de 1998

O presidente está órfão

Morte de Sérgio Motta enfraquece tucanos e acirra disputa pela vaga de braço direito de FHC

BRASÍLIA - A morte do ministro Sérgio Motta - vítima de infecção respiratória, no domingo, após treze dias na UTI do Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo -, deixa os tucanos sem seu maior porta-voz e faz acender no governo uma disputa acirrada entre os aliados políticos do presidente Fernando Henrique Cardoso, para ocupar os espaços que o tucano deixou abertos na campanha à reeleição e num eventual segundo mandato. Depois de perder o amigo Serjão, o presidente terá que procurar substitutos para atuar na linha de frente do programa de privatização, na articulação política do governo, na coordenação da campanha e ainda na trincheira: Motta era um aguerrido defensor de Fernando Henrique e de seu governo.

"O presidente tem uma macrovisão e vai procurar, com os quadros disponíveis, preencher o espaço deixado por Serjão", afirmou o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha (PMDB), ele próprio um candidato a fazer o papel de interlocutor político do governo na base aliada, desempenhado com eficiência por Serjão.

Embora a lealdade do ministro Padilha tenha conquistado aos poucos a confiança do presidente, ele não tem a intimidade que Serjão cultivou com o amigo de juventude Fernando Henrique. "Além de amigo, Serjão foi o ministro mais solidário ao presidente e o mais devotado ao projeto do governo", avaliou o deputado Roberto Brant (PSDB-MG).

A oposição reconhece que os tucanos têm razões de sobra para lamentar a perda de Sérgio Motta. "Apesar das nossas diferenças, o Serjão sempre foi visto como uma liderança forte no governo e marcante na história do país", afirmou o deputado José Genoíno (PT-SP). "Era um adversário respeitável", concluiu. O mérito de Sérgio Motta frente ao seu maior feito administrativo - a privatização das telecomunicações - é lembrado até pelos opositores do programa. "Através dos leilões públicos, ele conseguiu fazer a privatização sem que houvesse qualquer suspeita sobre a lisura do processo", completou o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ).   


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Emoção na hora da despedida
Duas mil pessoas no adeus a Motta
Palavras fortes e saúde frágil
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