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| Recife, Sexta-Feira, 17 de Abril de 1998 |
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Corpo mostrará peças distintas Sete ou Oito Peças para um Ballet e Parabelo compõem o espetáculo de dança Maria do Carmo Morais Uma das companhias de balé mais importantes do país, o grupo Corpo, de Minas Gerais chega amanhã na cidade para única apresentação, às 21h30, no Teatro Guararapes. O grupo mostrará duas peças distintas. A primeira, Sete ou Oito Peças para um Ballet e logo em seguida, Parabelo. O balé é o 27º e mais recente trabalho do coreógrafo da companhia Rodrigo Pederneiras. Vem ao Recife depois de ter passado por várias capitais brasileiras e participado da Bienal de Dança em Lyon, na França, ano passado. No início da apresentação, em Sete ou Oito Peças para um Ballet, os 18 bailarinos do grupo entram no compasso da música minimalista de Philip Glass e do grupo de oficina instrumental mineiro Uakti. As composições foram feitas especialmente para o espetáculo. É exatamente a base do movimento minimalista, onde busca-se obter o máximo do mínimo, que inspirou Pederneiras na criação dessa coreografia. "Não há uma história definida para caracterizar o trabalho. Procurei explorar o máximo da capacidade corporal com o mínimo, sem abusar dos movimentos. Tentei ser o mais simples possível. É uma balé econômico", disse Pederneiras. A coreografia que dura cerca de 40 minutos O minimalismo do espetáculo está também no cenário. Foi criado pelo artista plástico, seguidor dessa corrente estética, Fernando Velloso, que produziu um telão de 18 x 9 metros, repartido em seis faixas de quatro cores (verde, azul e dois tons de amarelo), impressas em tinta acrílica. O artista usou também uma gigantesca cortina de tiras cilíndricas de plástico, na cor verde, que assemelham-se à estravagância dos bordéis das cidades interioranas. O figurino de Freusa Zechmeister segue a mesma tendência de listras cores. E para compor o quadro, a iluminação de Paulo Pederneiras, faz contraste entre o branco convencional e diferentes tipos de lâmpadas. PARABELO Nome de uma pistola automática alemã, muito usada por Virgulino Ferreira da Silva, Lampião, na época do cangaço, Parabelo é também o título da segunda peça a ser apresentada no espetáculo. Segundoo próprio Pederneiras, é sua obra mais bem acabada. A coreografia foi montada em cima da trilha sonora composta ( especialmente para o espetáculo), pelo músico baiano Tom Zé e o paulista José Miguel Wisnik. Para fazer Parabelo, o coreógrafo lançou mão das bases do forró, xaxado e outros ritmos nordestinos, sem contudo, mostrar de uma forma exarcebada esses movimentos. "Não é um espetáculo com essas danças, apenas usei suas linhas básicas dentro de um tratamento contemporâneo", explicou Pederneiras. Segundo ele, a movimentação busca mostrar o lado alegre do sertanejo e um pouco da correria paulista. "Há uma certa mistura entre o jeito baiano, o paulista e mineiro de vivienciar as coisas", definiu ele. O coreógrafo conta que o espetáculo é o resultado perfeito entre ele, os bailairinos e a música. "Foi a única coreografia em que criei uma movimentação que não precisou de retoques. Foi também a mais rápida e se manteve intacta no final". Modesto, Pederneiras disse que, praticamente não fez nada, apenas colocou os passos dentro da música que caiu com perfeição no espetáculo. A trilha sonora composta por Tom Zé e José Miguel Wisnik foi gravada em CD para ser vendida em todas as apresentações do Corpo. Depois do Recife, o grupo se exibirá em Salvador e Fortaleza, para em junho, cumprir uma temporada pela Europa. O trabalho musical foi inspirado em Os Sertões, de Euclides da Cunha e Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. Traz um emaranhado de pontos e contrapontos rítmicos, tirado de cantilenas de trabalho, incelências, citações de duelos de cegos cantadores, além de baião e bossa-nova. A única letra da trilha é Sol Parabelo. O disco teve participação do pernambucano Siba, do grupo Mestre Ambrósio. A banda de Tom Zé é formada por Gilberto Assis (violão, baixo e baixolão), Marco Prado (guitarra e violão), Jarbas Mariz (bandolim) e Luaro Léllis (bateria). Outras participações importantes foram feitas por Marcos Suzano, Paulo Tatit e Alê Siqueira, Ná Ozzetti e Arnaldo Antunes, além de Gilvanete Rocha Silva, entre outros. SERVIÇO Sete ou Oito Peças para um Ballet e Parabelo |
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