Recife, Sexta-Feira, 17 de Abril de 1998

A guerra dos eletrônicos

Produtos de alta tecnologia e fácil manuseio iniciam uma nova invasão dom mercado nacional

Kéthuly Góes
Da equipe do DIÁRIO

Atender aos desejos e anseios dos consumidores com produtos de tecnologia de ponta, que supram necessidades do dia-a-dia das famílias, tem sido a batalha de dez entre dez fabricantes de produtos eletrônicos. Os investimentos não param. É cada vez mais fácil controlar as funções do equipamento e, com a concorrência, os preços começam a cair, à medida que mais empresas entram na disputa.

Até a linguagem usada para falar dos aparelhos e suas características estás se tornando familiar aos ouvidos menos acostumados com a sonoridade do Inglês. Close caption, zoom, digital video disc, audio surround system, são expressões que o público já escuta sem fazer cara de "será que isso funciona?". Na maioria das vezes, não sabe o que significa, mas entende o que cada produto oferece. Ao menos é assim que se comporta o público diante das megatelas de TV, de cristal líquido e até plasma, com dimensões superando as 50 polegadas.

O versátil controle remoto, que até uns anos atrás, era a coqueluche no mercado parece brinquedo de criança perto do que se vê às vésperas do ano 2000. Aparelhos que dividem a tela em multiquadros -até 13 espaços-, exibindo canais diferentes; outros que oferecem legendas na tela no idioma original da produção (o tal close caption); seletor para canais preferidos; tecla zoom, para aproximar a imagem em até 20%. As novidades não param, mesmo que sejam em pequenos detalhes como a gravação de senha para evitar que certos canais, em determinadas horas, sejam exibidos. Em outras palavras, censura doméstica para menores.

Lançado na Europa no final do ano passado, o CD Recorder (gravador de CD) é a grande vedete na UD de São Paulo, feira de utilidades domésticas que se encerra no próximo domingo. O preço, por enquanto, está salgado: R$ 1.300,00. Mas é a grande chance do consumidor em personalizar a discoteca, como se fez por décadas com as fitas K7. Além de gravar o som vindo de rádios, discos de vinil e fitas, o aparelho recebe sons de microfones e de outros CDs.

IMAGEM E SOM

Assistir à Copa como se estivesse vendo tudo da arquibancada. A proposta parece exagerada para quem não vai à França no período do mundial de futebol, mas é o que sugerem os fabricantes de aparelhos de TV com telas de grandes dimensões. O mercado está abarrotado deles, de marcas as mais variadas, e a briga pelo consumidor se acirra a cada mês. Há alguma tempo, não é só a imagem que interessa ao consumidor. Bom mesmo é sentir a agitação da torcida invadindo a sala, em alto e bom som. Para isso, foi criado o sistema surround, que já é oferecido em TVs a partir de 21 polegadas.

Experimentar a tecnologia do DVD (digital video disc) é outra aventura. É estar disposto a mudar, aprender, assumir uma nova postura como espectador. Tudo o que já se viu, ouviu e sentiu em telas domésticas, em termos de áudio e vídeo, foi superado, pertence ao passado. O impacto do DVD é positivo, a resolução da imagem chega pertíssimo da realidade, em ritmo hipnotizante. Permite avaliar até texturas de objetos e nuanças de claro e escuro. A aventura de redescobrir filmes como esse novo padrão de tecnologia é, segundo os fabricantes, o maior trunfo do produto e uma forma de entretenimento que veio para ficar.


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