Recife, Sexta-Feira, 17 de Abril de 1998
Luke Frazza/Agência France Press Clinton e Hillary (D) foram recepcionados por Eduardo Frei e a mulher, Marta, em Santiago do Chile

Clinton assina acordo no Chile

Comissão conjunta vai estudar a melhor forma de resolver disputas comerciais entre Washington e Santiago

SANTIAGO DO CHILE - Os EUA e o Chile assinaram acordo, ontem, nesta capital, para formar uma comissão visando tentar resolver disputas comerciais, assim como melhorar a cooperação entre os supervisores de bancos.

"Criamos uma comissão conjunta maior de negócios e investimentos para manter nossas relações econômicas em um patamar de benefício mútuo", afirmou o presidente Bill Clinton, após a cerimômia de assinatura dos acordos. A comissão conjunta irá observar assuntos de comércio bilateral.

De acordo com Clinton, o acordo prevê cooperação na área de regulamentação bancária e salvaguardas financeiras, vitais para proteger investidores em mercados cada vez mais integrados.

CÚPULA

O presidente dos EUA está em Santiago em visita oficial antes da cúpula de 34 países das Américas, neste final de semana. "Estamos esperando concluir o mais rapidamente possível um acordo para abrir também os céus", afirmou Clinton, referindo-se a um acordo para liberalizar a aviação entre os dois países.

Os chefes de Estado latino-americanos, que se reunirão na 2ª Cúpula das Américas, buscarão fortalecer ainda mais a integração regional, que avança firmemente, apesar das dificuldades que enfrenta a área de livre comércio de iniciativa dos Estados Unidos.

Diversos dos presidentes que participarão da reunião deixaram claro que as mudanças ocorridas na região nos últimos anos a transformaram num atraente sócio comercial para qualquer país ou bloco. Por exemplo, a região já é o destino de cerca de 40% das exportações americanas. Além disso, a América Latina conta com um já poderoso Mercosul, integrado por Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, com o Chile e a Bolívia como sócios.

PARCERIAS

O Mercosul, que lidera o processo de integração comercial da América do Sul, negociava, ontem, em Buenos Aires acordos com os países da Comunidade Andina, de que participam Bolívia, Colômbia, Equador e Venezuela. Também mantém contatos avançados com a União Européia, que o considera um interlocutor sério e poderoso nas suas tentativas deentrar no mercado latino-americano.

Os países centro-americanos não ficaram atrás e se uniram em seu próprio Mercado Comum. O presidente anfitrião Eduardo Frei está firme em sua decisão de que a Cúpula do fim de semana em Santiago seja o começo de ações concretas e não apenas de intenções.

CONTRADIÇÃO

O fato de que o líder da nação economicamente mais poderosa do mundo vai chegar à Cúpula sem um mecanismo que lhe permita negociar com independência acordos comerciais, surge como uma contradição, porque foi o próprio Clinton que sugeriu e anfitrionou a 1ª Cúpula das Américas, realizada em Miami, em 1994, e nela lançou a idéia de criar a Área de Livre Comércio das Américas (Alca).

Não há dúvida de que Clinton será a estrela da reunião, mas seu poder de negociação foi extremamente reduzido depois que teve de tirar do Congresso o projeto de lei que lhe devolvia o fast track (via rápida), um mecanismo que lhe permite fechar acordos comerciais que depois poderão apenas ser aceitos ou rejeitados pelo Congresso sem modificações. Clinton continuou a pressionar o Congresso pela aprovação do projeto de lei e exortou os legisladores a terem a sensatez de aprová-lo, segundo uma entrevista à imprensa divulgada, ontem, por diversos jornais latino-americanos.

DETERMINAÇÃO

Os presidentes da América Latina não se deixaram abater pela derrota de seu colega norte-americano frente ao Congresso e, ao contrário, chegarão à cúpula decididos a continuar reforçando os pactos regionais de integração comercial. O presidente brasileiro, Fernando Henrique Cardoso, e Frei disseram que a falta da via rápida é um problema interno dos EUA.

Frei acrescentou: "Na América Latina continuaremos a avançar, mesmo sem o fast track, e os pactos econômicos se fortalecerão", como no caso do Mercosul. O presidente argentino, Carlos Menem, disse que não há Alca sem o Mercosul e vice-versa.

Ernesto Zedillo, do México, fez vários acordos comerciais bilaterais com seus colegas latino-americanos, um deles, com grande êxito, com o Chile. O México também tem acordos com a Colômbia e a Venezuela, por um lado, e com seus vizinhos da América Central, por outro.


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