Recife, Sexta-Feira, 17 de Abril de 1998

Cerca de 23% vivem com menos de US$ 1 por dia

Estudo do Banco Mundial mostra que país tem 4% de pobres do mundo

WASHINGTON _ Cerca de 23,6% da população brasileira vive com US$ 1 ou menos por dia. Eles compõem o exército de pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza, um grupo que ainda cresce na América Latina. Os dados constam do documento World Development Indicators, um amplo conjunto de indicadores sócio-econômicos do mundo inteiro divulgado, ontem, pelo Banco Mundial (Bird). O Brasil, segundo o relatório, tem 4% dos pobres do mundo.

A média dos padrões sociais e econômicos do mundo melhorou nos últimos 25 anos, mas algumas regiões, entre elas a América Latina, continuam mergulhadas em profundas disparidades sociais. O percentual da população global que vive abaixo da linha da pobreza registrou uma pequena queda de 30,1% em 1987 para 29,4% em 1993. Mas esta relação aumentou no mesmo período na América Latina, de 22% para 23,5%.

Apesar de continuar convivendo com a pobreza de boa parte de sua população, indicadores sócio-econômicos dos países em desenvolvimento têm melhorado. A renda per capita vem aumentandoem média 1,3% ao ano desde 1970, apesar do aumento da população mundial, que já chega a 4,8 bilhões de pessoas. Nesse período, a expectativa de vida aumentou 4 meses todos os anos (hoje a expectativa de vida mundial, como no Brasil, é de 67 anos), a mortalidade infantil caiu pela metade, o crescimento da produção de comida está excedendo o crescimento da população e o número de adultos capazes de ler nos países em desenvolvimento aumentou de 46% para 70%.

Mas, segundo Joseph Stiglitz, economista chefe do Banco Mundial, há enormes disparidades entre diversas regiões do planeta, e um caminho longo a percorrer para atingir algumas metas de desenvolvimento estabelecidas por instituições multilaterais. Entre essas metas, a redução da pobreza pela metade até o ano 2015- o que exigiria tirar quase 1 bilhão de pessoas da miséria. Se nada for feito e a taxa de pobreza permanecer em cerca de 30%, até 2015, o número de pobres do planeta terá aumentado de 1,3 bilhão para 1,9 bilhão de pessoas.

Para atingir a meta deuma educação primária universal até 2015, 200 milhões de crianças a mais terão que ser matriculadas, um aumento de 41% sobre o número atual de alunos matriculados. Para reduzir a taxa de mortalidade infantil em mais dois terços até 2015, 6 milhões de bebês terão que ser salvos todos os anos.

O Brasil, em muitos casos, está abaixo da média da América Latina nos indicadores publicados pelo Banco, o que mostra a magnitude do desafio social para a liderança do país no próximo século.


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