Recife, Sexta-Feira, 17 de Abril de 1998

Banhados de sol - 1

PAULO FERNANDO CRAVEIRO
E-mail: edviver@dpnet.com.br

Velhos, jovens e crianças pedem esmolas nas ruas do Recife. Estão banhados de sol. Faz em abril (e nos outros meses) o calor da injustiça social na cidade degradada.

O tapete voador do capitalismo, que foi atingido na década de 1930 pelo meteoro da suposição do fracasso, revelou-se posteriormente encantadora máquina de prosperidade. Tal engenho econômico, por selvagem em algumas plagas, é todavia incapaz de transmitir dignidade social-econômica a muitos países. O Brasil é um deles. Não existem entretanto opções. O marxismo mostrou-se foco de prepotência, obscurantismo e impostura nos Estados comunistas. Depois de arrancada a máscara, é monstruosa a face exibida.

Manifesta-se desconcertante a convivência com a miséria e o calor no Recife. Fecha-se em copas o percentual da sociedade que tem patrimônio a perder. A insegurança desce os morros como a serpente de um forró tricotado por sanfonas.

A época é propícia a meditações atrás de portas que rangem ou nos subterrâneos em queas pessoas se devotam a necrológios prematuros.

Banhados de sol - 2

1 A Disneyland de Tóquio, 17,3 milhões de visitantes por ano, inaugura estátua em homenagem a Mickey Mouse.

2 A British Airways, que estuda a implantação do vôo Londres-Recife, encomenda (US$ 1 bilhão) dois Boeing 777 e seis 754.

3 O empresário americano Peter Lewis, negócios com sede em Ohio, faz doação de US$ 50 milhões ao Guggenheim de Nova Iorque, a maior jamais recebida pelo museu.

Retrato 3 x 4

O senador Joel de Hollanda (PFL) narra no Recife a história de senador nordestino que se apaixonou por moça muito jovem no Rio. Como jamais teve a paixão correspondida, terminou abandonado. Em mesa de bar, com amigos, vingou-se. Cortou em pedacinhos a foto 3 x 4 da amada, jogou-os dentro de copo com dose de uísque, tomou um gole e declarou alto e bom som: "Se não te comi, bebo-te."

Ensaio de deputado

Quase empata a votação no processo de cassação. O candidato a deputado de hoje é o Sérgio Naya de amanhã.

Desprezo e confiança

O que Sérgio Naya deveria ter dito ao presidente da Câmara, Michel Temer, imitando o personagem de Peter Lore em frase para Humphrey Bogart no filme Casablanca (Michael Curtis, 1942/Lok Vídeo do Recife): "Confio em você porque me despreza."

Busca de eleitor

Collor visita o túmulo de frei Damião no Recife. Trata-se ao pé da letra de busca a ex-voto.

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