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| Recife, Sexta-Feira, 17 de Abril de 1998 |
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Campeão mundial OPINIÃO O linguajar dos economistas está se excedendo na imprecisão vernacular. Ontem, um colunista, ao tentar explicar essa incrível questão da taxa de usura no Brasil, cometeu a seguinte frase: "o Banco Central deu mais um passo ousado ao cortar em quase cinco pontos percentuais a TBC. Mas ampliou a diferença entre piso e teto da banda de juros, mantendo a TBAN em 32,5%". Ninguém, é evidente, entende o que, de fato, se passou nas complexas cerebrações destes incríveis economistas do governo brasileiro. A questão poderia ser resumida de uma forma mais simples. O Brasil era o campeão mundial das taxas de juros. Campeão, vice-campeão e terceiro colocado. Nenhum país chegava perto do extraordinário recorde verde-e-amarelo. Agora, não. Somos, apenas, os campeões mundiais dos juros altos. A queda dos percentuais no Brasil fez com que a Rússia, antigo paraíso do proletariado, neste momento o paraíso das negociatas, assumisse, gloriosamente, o segundo lugar, com a taxa de 18%. Em terceiro lugar, está a Coréia do Sul, paísque vive o epicentro da crise asiática. Lá, os juros andam pela casa de 10% ao ano. No Brasil, 19%. Há um certo fascínio nos gênios ao mostrar estas marcas. O governo brasileiro já acumula mais de setenta bilhões de dólares em reservas cambiais, suficientes, segundo os estrategistas, para enfrentar crises de bom tamanho. A absurda taxa de juros faz com que os capitais voláteis de todo o mundo migrem para o território nacional, em busca de uma lucratividade que não tem similar no mundo. Os preciosos dólares vêm em busca desta expressiva vantagem e os representantes brasileiros andam pelos principais mercados do planeta trombeteando as vantagens do chamado risco Brasil. Esse é o lado visível da moeda. O outro lado também é visível. Apenas não tem conseguido merecer qualquer tipo de atenção de autoridades, pensadores, analistas e de quem mais possa se preocupar com o futuro do país real. As elevadíssimas taxas de juros atingiram de maneira violenta o setor industrial e o comércio. As vendas caíram e o desempregose alastrou de forma impressionante por toda a sociedade. As taxas de desemprego no Recife estão além da compreensão, como, de resto, em todo o Brasil. Este é o preço que o cidadão brasileiro está pagando pelo elevado estoque de moeda estrangeira e para manter o custo Brasil dentro de patamares de primeiro mundo. Não há um sistema eficiente para medir o sofrimento do cidadão, nem para definir a angústia do menino que deixa a escola e passa a vender bala no sinal de trânsito com objetivo de ajudar no sustento de casa. Isso não aparece na estatística, nem os banqueiros internacionais se mostram minimamente preocupados com o assunto. Aliás, nem o ministro do Trabalho do Brasil, Edward Amadeo, para quem não existe crise de desemprego neste país. Segundo os economistas, e seus auxiliares, o mundo real é o deles. Virtual é o desemprego. Um dia a casa cai. Fala, cidadão O DIÁRIO vem estampando uma página de serviços ao cidadão que por assim dizer caiu no gosto da maioria dos leitores. Trata-se da "Fala, Cidadão", que há dois meses ecoa reclamações procedentes sobre dezenas de aspectos que afetam a vida da população. Fala, Cidadão também informa e avisa sobre um sem-número de circunstâncias que possam favorecer opções que melhor consultem o interesse de cada um. Na mais recente edição, ontem, a página dá as dicas sobre o combate à dengue, cursos e concursos diversos, o pagamento de benefícios previdenciários. Além da venda de ações de estatais e demais tópicos correlatos da agenda por assim diária, corriqueira, do homem do povo, do cidadão comum que habita as cidades e o campo em nosso Estado. Uma nota sobre eventos programados para o Interior mais longínquo não é menos importante, do ponto de vista do serviço prestado, que a informação levada aos grandes contingentes de população em áreas densas quanto a da Capital, Recife. Os serviços públicos essenciais, por sua própria natureza, mexem a toda hora com o bem-estar geral. Por isto, têm assegurada presença quase permanente na página a que aludimos. Não há defeito de funcionamento na oferta da água e da energia elétrica, por exemplo, que escape ao crivo permanente da cidadania insatisfeita. Mas, veja-se outro lado. Não há novidades, que beneficiam o consumidor, que não sejam postas no merecido destaque, para que de imediato a maioria dos consumidores possa usufruir da vantagem anunciada. Na filosofia que inspirou a criação da Fala, Cidadão, o leitor não é apenas aquele que paga e lê. A página é serviço adicional. É mais um canal e forma de expressão que se põem ao dispor da coletividade. Nela, a informação tem endereço certo, é como que uma especialidade da casa. Estima-se, com efeito, que a página em apreço se irmane ao cidadão na qualidade de usuário de serviços, consumidor de bens, contribuinte de impostos. Interessa-nos, igualmente, o cidadão como contribuinte, por ser este quem, no sistema democrático, financia as diversas obras do poder que em seu nome será exercido. Acham os que fazem o DIÁRIO que aquele que paga pela informação tem o direito à utilização do canal privilegiado que é o jornal, para a defesa de suas prerrogativas e a atenuação dos vexames a que toda hora é submetido. Na medida em que o jornal presta serviços adicionais ao leitor que ultrapassa a simples informação de caráter geral, insere-se na linha de um jornalismo a um só tempo ágil e prestimoso que muito o distancia da frieza com que se faziam jornais, antigamente. Há, de fato, no Fala, Cidadão, apreciável dose de calor humano que cumpre cultivar com a indispensável tenacidade. |
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