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| Recife, Sexta-Feira, 17 de Abril de 1998 |
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Planos da Light PANORAMA ECONÔMICO A Light não vai fazer uma fusão das duas empresas. A Metropolitana será uma empresa separada com diretoria autônoma, explicou ontem o presidente Michel Gaillard no meio de uma reunião que durou o dia inteiro para fechar os detalhes da operação. Durante 90 dias será feito um levantamento minucioso do estado em que está a companhia. O quadro será divulgado junto com as medidas para evitar problemas no abastecimento. A vitória da Light foi vista com má vontade pelos problemas que ocorreram no Rio no último verão. Só que em São Paulo a regulação foi bem mais rigorosa, o que reduz os riscos. A Light está consciente que sua má imagem virou seu maior passivo. Ontem mesmo a Abinee disse que a indústria paulista teme os problemas da Light. Pode ter falado até por bairrismo, mas disse o que está na cabeça de todos. A Light acha que seu principal erro foi não ter falado da situação em que encontrou a companhia; não ter aprovado medidas emergenciais para reverter a situação e não ter montado uma política de comunicação eficiente. - Uma empresa concessionária de serviço público continua sendo uma empresa pública, mesmo que de capital privado, portanto a atenção com o cliente tem que ser redobrada - disse Gaillard. Esta lição tirada do fracasso no Rio será aplicada em São Paulo. Um levantamento de todos os problemas da companhia, sucateamento de equipamento, falhas operacionais será feito nos próximos 90 dias. Ele será apresentado à população, já com as medidas aprovadas para reverter a situação, revela Gaillard. Se não fizerem direito o trabalho, que se preparem. Cariocas e paulistas, quando unidos, ficam imbatíveis. A Light tem entre os seus sócios três operadores do setor de energia. Isto é uma vantagem. A VBC é, como se sabe, uma empresa de mineração e metalurgia, um banco e uma empreiteira, que se juntaram para entrar no setor elétrico. Como a empresa já havia comprado a CPFL, para o estado é mais interessante que a Metropolitana fique nas mãos de um concorrente. Leilão sem ágio em geral é considerado um fracasso, portanto a privatização paulista está sendo considerada um fiasco. O governo do estado, de fato, está decepcionado por não ter vendido a Bandeirantes. Sobre o ágio é preciso lembrar que as empresas paulistas foram objeto de uma avaliação mais bem feita. A Light foi vendida com 30% em moeda podre. O medo em relação à Bandeirantes é o fato de ser uma empresa instalada num mercado com muito consumidor industrial. Depois que a legislação permitiu a existência do produtor independente este mercado ficou mais arriscado. Afinal, hoje nada impede que um grupo de consumidores se junte e decida produzir sua própria energia. O consumidor residencial não tem esta possibilidade. Por isso também, a Metropolitana era melhor negócio. A desistência da VBC de participar foi meio misteriosa. A empresa disse que desistiu porque descobriu - após haver depositado as garantias - um passivo atuarial na empresa. É desculpa. Este assunto vem sendo tratado há meses. O passivo existe, mas já se sabia dele com antecedência.A confusão jurídica foi provocada mais pela politização do assunto do que por falhas no processo e serviu para mostrar mais uma vez a curiosa aliança entre a esquerda estatista e a direita malufista. Os juros Nathan Blanche, da consultoria Tendências, acha que mesmo com a queda, os juros brasileiros são "mortais". E faz uma conta. Na taxa de 23,25%, os impostos representam 4,40 pontos percentuais, a correção cambial outros 4,50. Sem os dois, os juros são de 12,97%. "Esta deveria ser a nossa taxa de juros nominais. Taxa real e cupom cambial de 9,70%, com prêmio de 420 pontos percentuais acima dos Fed Funds americanos e acima dos juros de 8% na Argentina", afirma. Aprendendo A diretoria social do BNDES assina hoje com a Prefeitura de Manaus o primeiro contrato para modernização tributária. O banco vai emprestar R$ 6,4 milhões para um programa que pretende organizar cadastro de contribuintes e treinar os fiscais. A Prefeitura acha que vai aumentar 64% a arrecadação. A vantagem deste programa é que desde que receberam a atribuição de arrecadar seus impostos as prefeituras estão perdendo dinheiro. Elas não sabem arrecadar, estavam acostumadas a receber o cheque de Brasília. Já tem uma fila de prefeituras querendo entrar no programa. OS portugueses do Banco Espírito Santo agiram rápido. Nos próximos dias a empresa de asset management do Banco Boavista se apresenta ao mercado. Falta escolher um nome e escalar o presidente. O HOTEL Meridien vai sediar no dia 8 o primeiro fórum sobre investimento no futebol, com a participação de executivos do Barcelona e do Glasgow Rangers, times pioneiros na gestão empresarial. O jornal Lance, que organiza o evento, convidou também o Enic Sport, o único fundo do mundo especializado em comprar cotas de clubes. O Programa de Qualificação Profissional do FAT investiu R$ 30 milhões em 94 e R$ 300 milhões em 96. Não é nada, não é nada, decuplicou em dois anos. |
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