Recife, Sexta-Feira, 17 de Abril de 1998

Greve de fome prejudica novos acordos

BRASÍLIA - O ministro da Justiça, Renan Calheiros, criticou ontem a decisão dos dez seqüestradores do empresário Abílio Diniz de continuar em greve de fome. Nove dos dez seqüestradores são estrangeiros e estão fazendo o protesto desde segunda-feira para que sejam expulsos do Brasil como presos políticos, o que facilitaria a reconquista da liberdade em seus países de origem. O décimo integrante grupo é um brasileiro que, também sob o argumento de que o seqüestro foi uma ação política, reivindica o perdão da Justiça.

"A greve não ajuda. É preciso que prevaleça o bom senso, no sentido de que as coisas avancem", afirmou o ministro. De acordo com ele, o protesto dos presos poderá atrapalhar as negociações para a assinatura de acordos entre os governos brasileiro, chileno e argentino, que assegurariam o repatriamento de parte do grupo. O governo já firmou um tratado com o Canadá que permitirá o retorno a esse país dos dois canadenses - Davi Spencer e Christine Lemont - também condenados pelo seqüestro de Abílio Diniz.

O governo já decidiu que Davi e Christine serão repatriados para que cumpram o restante da pena no Canadá, mas os dois, a exemplo dos demais colegas, se recusam a aceitar a oferta. "Isso vai dificultar a aprovação dos outros acordos pelo Congresso Nacional", advertiu Renan Calheiros. Dos dez integrantes do grupo, um é brasileiro, dois são canadenses, dois argentinos e os outros cinco são chilenos. Para o ministro da Justiça a atitude dos seqüestradores está contribuindo para confundir a opinião pública.

Segundo Renan, muita gente está pensando, equivocadamente, que o governo irá expulsar os seqüestradores para que eles se livrem da punição. "Isso não é verdade. Eles serão transferidos para que cumpram o restante da pena em seus países", disse. O ministro argumentou ainda que a transferência de presos de um país para outro é uma tendência do Direito Internacional. O repatriamento de presos é importante, conforme o ministro, porque evita que a família do condenado também seja indiretamente punida.

"Não é fácil uma família se deslocar para outro país só para acompanhar um parente preso", disse. Os sequestradores de Abílio Diniz foram presos às vésperas do segundo turno das eleições presidencais de 1989. Segundo os advogados do grupo, o valor do resgate fixado em R$ 30 milhões, seria usado no financiamento da guerrilha em El Salvadodr. Mas, a Justiça rejeitou o argumento de que se tratava de uma ação política.


Canadá ratifica transferência

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