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| Recife, Sexta-Feira, 17 de Abril de 1998 |
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Massacre mobiliza o país O dia será de protesto pelo assassinato de 19 sem-terra há dois anos em Eldorado dos Carajás BRASÍLIA - O Fórum Nacional pela Reforma Agrária e pela Justiça no Campo espera reunir, hoje, dezenas de milhares de trabalhadores em manifestações em 22 estados e no Distrito Federal. O principal motivo dos protestos é o aniversário de dois anos do massacre de 19 sem-terra em Eldorado do Carajás, no Pará, e a falta de punição aos mais de 150 policiais militares acusados pelos crime. O movimento é também contra a violência no campo e a atual política agrária. Em Brasília, será entregue no Palácio do Planalto um documento para o presidente Fernando Henrique Cardoso com críticas. O Ministério da Justiça não adotará esquema especial de segurança para acompanhar a movimentação. Estão previsto atos também em embaixadas do Brasil no exterior. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, um dos integrantes do Fórum, divulgou ontem um documento com "as mentiras do governo FHC sobre a reforma agrária". Entre os 14 pontos, MST critica o fato de as terras do Banco do Brasil e do Instituto Nacional do Seguro Social(INSS) não estarem sendo usadas para assentamentos e acusa o governo de fazer "vistas grossas à formação de milícias no campo". No documento a ser enviado ao presidente, o Fórum reivindica o assentamento anual de 800 mil famílias, condições para o Judiciário acelerar a apuração das mais de 130 mortes ocorridas no campo na administração de Fernando Henrique e a demarcação de terras indígenas. O Fórum reúne, além do MST, a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e entidades ligadas aos povos indígenas e trabalhadores na agricultura. A previsão de um dos coordenadores nacionais do MST, Gilberto Portes, é que o movimento de hoje ganhe força com a adesão de outras categorias. ATOS Ontem chegou a Brasília um grupo de sem-terra que iniciou vigília em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF). Para hoje pela manhã estão previstos protestos em pontos diferentes da Esplanada dos Ministérios. À tarde, os manifestantes programam um ato em frente ao Palácio do Planalto, onde pretendem colocar 22 caixões, representando os 19 mortos de Eldorado dos Carajás, os dois líderes do MST, Onalício Araújo e Valentin Serra, assassinados em Parauapebas (PA), e o índio Galdino Jesus dos Santos, queimado vivo em Brasília por adolescentes de classe média, no dia 20 de abril de 97. Também serão entregues no Palácio do Planalto, para posterior encaminhamento ao presidente, que estará exterior, 40 mil postais escritos por canadenses pedindo o fim da impunidade dos crimes no campo e o avanço da reforma agrária. O presidente do STF, Celso de Mello, deverá receber um dossiê sobre Eldorado de Carajás, mostrando que o processo está parado até hoje. Sete viúvas de sem-terras mortos no conflito estarão presentes. |
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