Recife, Sexta-Feira, 17 de Abril de 1998

Depoimentos de testemunhas da chacina ajudam PMs

RIO - Depoimentos de sobreviventes da chacina de Vigário Geral foram usados ontem pelos advogados de defesa dos policiais militares acusados pelos crimes. Testemunhas da chacina, na qual 21 pessoas morreram em 30 de agosto de 1993, Jadir Inácio, Jussara Prazeres da Costa e Ubirajara Santos disseram que os primeiros tiros dos criminosos foram ouvidos entre 23h e 23h30, quando três dos acusados estavam em um Posto de Policiamento Comunitário (PPC) a 4 quilômetros da favela, na zona norte. Neste segundo dia de julgamento, no 2º Tribunal do Júri, no Rio, foram lidas peças do processo.

A presença dos réus e ex-policiais militares Edmilson Campos Dias, Gil Azambuja dos Santos e Jamil Sfair Neto no posto de policiamento de Jardim América foi confirmada em outras peças lidas ontem. Eles estavam com o coronel Marcos Paes, que chegou a investigar a chacina, e, na época, como major, estava fiscalizando o PPC. "Se eles participaram da chacina, o Marcos Paes também participou", afirmou um dos advogados dos réus, NélioSoares de Almeida.

ÁLIBIS

O outro advogado de defesa, Themístocles de Faria Lima, lembrou que, caso os álibis dos três sejam aceitos pelos jurados, os outros réus deste julgamento também têm de ser absolvidos. "A acusação é conjunta. Se têm três que, está provado, não estavam lá, então está tudo furado", afirmou o advogado. O horário apontado pelos sobreviventes não coincide com o apontado pelos promotores Júlio César Lima dos Santos e Luciano Lessa. Eles afirmam que o crime ocorreu entre meia-noite e 0h30, por isso seria possível a Campos, Azambuja e Sfair participar da chacina.

A leitura dos depoimentos e outros documentos do processo começou às 10h. O único policial civil entre os réus, Marcus Vinícius de Barros Oliveira, passou mal às 12h30. Com problemas cardíacos, foi socorrido no 2º Tribunal do Júri e não acompanhou o julgamento à tarde. A assistente de acusação Cristina Leonardo disse que a defesa relacionou um grande número de documentos para tentar cansar os jurados. "Essa mulher não sabe a diferença entre habeas-corpus e Corpus Christi", ironizou Andrade.

DEPOIMENTOS

Hoje devem começar os depoimentos de 27 testemunhas, 11 da acusação e 16 da defesa. O depoimento mais esperado é do informante da polícia Ivan Custódio Barbosa, responsável pelas denúncias que levaram à prisão dos acusados. Andrade pretende desmoralizar o testemunho de Custódio, que responde a 68 processos. "Tenho até pena dele", disse. Os sem-terra que pretendem fazer manifestação em frente à Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BV-RJ) planejam fazer antes manifestação em frente ao Fórum, que fica perto da Bolsa.


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