Recife, Sexta-Feira, 17 de Abril de 1998

Collor está de volta à República das Alagoas

MACEIÓ - O ex-presidente Fernando Collor de Mello chegou ontem pela manhã a Maceió, disposto a lançar a candidatura à Presidência da República. "Vou repetir 1989, disputando o segundo turno com o candidato Lula (Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato a presidente pelo PT)", afirmou o ex-presidente, que fica em Alagoas até o início da próxima semana. Depois, segue para Brasília, São Paulo e Belo Horizonte. "Nessas viagens, pretendo reunir-me com amigos e correligionários para definir o início propriamente dito da campanha". Antes de desembarcar em Maceió, ele passou pelo Recife, onde participou de uma missa na Capela de Frei Damião e se encontrou com o ex-senador Ney Maranhão.

Collor disse que está convencido da viabilidade jurídica da candidatura e negou estar inelegível pelo Supremo Tribunal Federal (STF). "O Supremo jamais se manifestou a respeito da minha elegibilidade ou não; o que o Supremo fez em dezembro do ano passado foi responder a uma ação movida por meus advogados, perguntando se eu estava ou não inelegível", afirmou. "O Supremo decidiu por unanimidade que aquela ação não caberia a ele decidir", disse o ex-presidente, acrescentando que o STF sequer entrou no mérito da questão.

AÇÃO

"Procuramos o Tribunal de Justiça Federal, que orientou o meu advogado a entrar com uma ação na zona eleitoral onde eu estou inscrito como eleitor; isto foi feito e o juiz titular da 2ªZona Eleitoral de Maceió, Ivan Vasconcelos de Brito Júnior, concedeu a antecipação de tutela, reconhecendo o meu direito de votar e ser votado", explicou Collor. Segundo ele, foi aberto prazo para a impugnação da sentença, mas não houve recurso. "Agora, estou aguardando uma sentença final para que eu possa oficialmente disputar as eleições deste ano".

Collor afirmou que tem procurado somente os caminhos legais para tornar viável a candidatura, buscando apenas orientação da Justiça. Para o ex-presidente, o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, "está equivocado" quando contesta o direito dele de disputar as eleições desteano. "Ele emitiu opinião com base numa suposta decisão do Supremo, que simplesmente afirmou que não era da sua competência decidir a questão", explicou o ex-presidente, referindo-se a Brindeiro.

ALIANÇA

Em Alagoas, Collor articula uma aliança do grupo político dele com o governador Manoel Gomes de Barros (PTB). Se não der certo, vai lançar um candidato próprio ao governo do Estado. Ele disse que vai conversar com lideranças de várias correntes partidárias, mas descartou a possibilidade de uma aliança com o candidato Teotônio Vilela Filho (PSDB), por causa da oposição que faz ao governo Fernando Henrique Cardoso. O ex-presidente descartou também a possibilidade de sair candidato ao Senado por Alagoas ou ao governo do estado.

"Qualquer candidatura por meu estado seria honrosa, mas, nas eleiões deste ano, sou candidato a presidente para estabelecer um diálogo com a sociedade brasileira, como uma alternativa à situação que aí está", afirmou Collor, dizendo-se o único candidato de oposição a FHC. Para o ex-presidente, o Brasil está pagando um preço muito alto pela "estabilidade fictícia da moeda".


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