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| Recife, Sexta-Feira, 17 de Abril de 1998 |
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O clamor público Luis Fernando Verissimo O Sérgio Naya foi derrubado ou quase salvo pelo vídeo das suas confissões? Não se sabe quantos votos a favor da cassação se devem à amostra audiovisual do seu caráter que a Globo botou no ar - e botou no ar, e botou no ar - ou quantos votos contra, pois muito do apoio que Naya recebeu foi uma reação corporativista do Congresso à pressão da imprensa. Sem o vídeo, Naya manteria seu mandato ou o perderia por uma diferença de mais de 20 votos? Já que não tem se mostrado muito independente do Executivo, o Legislativo parece disposto a mostrar sua soberania resistindo ao chamado clamor público. O clamor público depois do desabamento do prédio construído por Naya e das revelações da imprensa sobre seu passado talvez não fosse suficiente para derrubá-lo. O clamor público mais o poder da Globo, e com imagens, era difícil de resistir. O que não é difícil é imaginar as conseqüências - até institucionais, sem querer exagerar - de uma absolvição de Naya pelos seus pares, depois de tudo que foi ao chão, e ao ar. Mas o problema com o clamor público e com a pressão concentrada da imprensa é que são coisas episódicas que levam a reações quase sempre emocionais e sempre subjetivas. Nada do que já se sabia no Congresso e na imprensa sobre comportamento do Naya como empresário e político ameaçava seu mandato, ou sua tranqüilidade. Nem impediu que recebesse favores do sistema bancário oficial, por conveniência política. Foi preciso um escândalo com vítimas e uma câmera inconfidente para que se exigisse sua punição, que mesmo assim foi só por 20 votos. Ninguém pode viver num estado de indignação permanente, claro, e o fato excepcional é que provoca o clamor público. Mas decoro parlamentar e conduta aceitável de legisladores não deviam ser conceitos subjetivos, decididos no susto. As regras deviam ser claras, a punição automática e os Nayas cortados pela raiz, independente de clamor público. E a Globo está ocupada demais fazendo o imaginário do país para continuar fazendo, também, a sua História. |
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