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| Recife, Quarta-Feira, 15 de Abril de 1998 |
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Sem-terra protestam por massacre em Carajás Vinte e dois caixões serão postos em frente ao Palácio do Planalto BRASÍLIA - Vinte e dois caixões serão colocados em frente ao Palácio do Planalto, nesta sexta-feira, para marcar os dois anos do massacre de 19 sem-terra em Eldorado dos Carajás, o assassinato de dois integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), este ano, também no Pará, e a morte do índio pataxó Galdino Santos, incendidado por adolescentes há um ano, em Brasília. As entidades que integram o Fórum Nacional pela Reforma Agrária também programaram para marcar o dia 17 de abril, uma vigília na entrada do Supremo Tribunal Federal (STF), contra a impunidade no campo. As entidades, entre elas o MST, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) decidiram ampliar as manifestações em todo o país, envolvendo, além dos sem-terra, os índios. O índio Galdino foi morto, na madrugada do dia 20 de abril do ano passado, quando dormia num ponto de ônibus, depois de ter comemorado o Dia do Índio na sede da Fundação Nacional do Índio (Funai). Cinco adolescentes, um deles menor de idade, jogaram um litro de álcool no corpo de Galdino e atearam fogo. O índio morreu com mais de 90% do corpo queimado. Os quatro maiores responsáveis pelo assassinato estão presos, mas a acusação de crime triplamente qualificado foi amenizada pela juíza Sandra de Santis. Com a desqualificação do crime, os jovens não deverão ser julgados pelo tribunal do júri, podendo receber penas menores. As entidades estão tentando reverter a decisão da juíza. VIÚVAS A manifestação marcada para às 16h no Palácio do Planalto, vai contar com a presença das viúvas e parentes dos 19 sem-terra mortos pela Polícia Militar em Eldorado dos Carajás. Antes do protesto, representantes da entidade canadense Desenvolvimento e Paz entregam ao presidente Fernando Henrique Cardoso 40 mil cartões postais com mensagens de canadenses que pedem o fim da impunidade no país. A vigília em frente ao STF, marcada para quinta-feira à noite, terminará na sexta, com a entrega ao presidente do tribunal, ministro Celso Mello, de um dossiê enumerando os casos de impunidade no campo. Desde hoje, as informações sobre as manifestações marcadas para a sexta-feira em 23 estados ficaram centralizadas em Brasília. No exterior, estão programados protestos em frente às embaixadas do Brasil na Alemanha, Áustria, Bélgica, Estados Unidos, Filipinas, França, Honduras, India e México. Ex-policiais acusados de chacina vão a júri RIO - O 2º Tribunal do Júri do Rio começa a julgar hoje dez ex-policiais militares acusados de participação na chacina de Vigário Geral, em que 21 pessoas foram assassinadas na madrugada de 31 de agosto de 1993. O crime teve repercussão internacional. Um forte esquema de segurança, como ocorreu em outros dois julgamentos do caso, foi mobilizado para garantir a tranqüilidade no Tribunal de Justiça, no centro do Rio. A chacina, com requintes de crueldade, chocou o mundo. O motivo seria a morte de quatro policiais militares do 9º Batalhão da Polícia Militar, em Rocha Miranda, no dia anterior, na Favela de Vigário Geral. Os militares teriam sido tocaiados por traficantes e mortos dentro da patrulha da corporação. Para vingar os colegas, policiais da corporação, denominados Cavalos Corredores, retornaram no dia seguinte à favela e, em represália, fuzilaram 21 moradores - trabalhadores e até crianças. Dentre os mortos, oito eram evangélicos e pertenciam à mesma família. No local da chacina foi criada a Casada Paz, um centro cultural e recreativo para as crianças de Vigário Geral. O primeiro julgamento do caso ocorreu no dia 27 de abril de 1997, quando o processo foi dividido em duas etapas. Na ocasião, 31 ex-PMs foram acusados pelo crime, mas apenas Paulo Roberto Alvarenga, foi condenado a 449 anos e oito meses de prisão. No dia 28 de novembro, foi a vez da condenação de Arlindo Maginário, a 441 anos e quatro meses de prisão. Dos 29 que sobraram do grupo de 31, dez serão julgados hoje. Salário mínimo gera polêmica BRASÍLIA - O Palácio do Planalto e líderes governistas divulgaram ontem versões diferentes sobre a reunião na qual foi discutido o novo valor do salário mínimo. O líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG), saiu do Palácio anunciando que o presidente Fernando Henrique Cardoso editará até amanhã medida provisória fixando o novo valor, que passará a valer a partir de 1 de maio. O salário mínimo, por esta versão, seria aumentado "pelo menos" em R$ 8,00, passando para R$ 128,00. Uma hora depois, o porta-voz Sérgio Amaral garantiu que "o presidente não mencionou" o assunto e negou que tenha marcado data para assinar a MP. "Ele aguarda estudos da equipe econômica", disse. "Estou desmentindo". ACM quer fim do Movimento Sem-Terra BRASÍLIA - O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse ontem que, se estivesse no lugar do presidente Fernando Henrique Cardoso, poria na ilegalidade o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e a União Democrática Ruralista (UDR). "Eu, se fosse o governo, acabava com o MST e a UDR num dia só", afirmou. De acordo com Antônio Carlos, o governo não tem sabido agir com presteza em relação aos sem-terra. "Se há uma crítica que eu faço ao governo é a de ter deixado prosperar este movimento", disse o senador. ACM afirmou que os integrantes do MST "recebem recursos do governo, financiamento oficial e só trabalham contra aqueles que os beneficiam". |
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