(Atualizado no dia 14/4/1998)

Descubra o fascínio do México

Índios colonizadores deram ao país da tequila, único latino da América do Norte, uma identidade marcante

Carlos Rydle
Da Agência Estado

Nos anos 50, o escritor Érico Veríssimo fez uma grande viagem pelo México. Logo nos primeiros dias, ele leu na parede de um carro-restaurante de trem a inscrição Juventino Rosas. Acostumado à lógica dos batismos públicos latino-americanos, o gaúcho conclui: "Deve ser um general, um deputado, um ex-governador". Nada disso. Era o nome de um músico popular, autor da valsa Sobre as Ondas. Feliz com a descoberta, o escritor concluiu: "México, te amo".

Naquela homenagem, Érico Veríssimo viu um claro sinal de que a expectativa em torno da viagem seria cumprida. Cansado da modernidade dos Estados Unidos e da tradiconal cultura européia, ele buscava um país peculiar, envolto numa atmosfera romântica, cheio de símbolos místicos e históricos. No México, Veríssimo encontrou o que procurava.

FASCÍNIO

Quase meio século depois da viagem do escritor brasileiro e da aposentadoria do cantor mexicano, o único país latino da América do Norte continua a fascinar visitantes. Foi assim no começo do século, quando Leon Trotsky eoutros intelectuais revolucionários chegavam ao país dos astecas, atraídos por Emiliano Zapata, Pancho Villa e outros heróis da esquerda. Hoje, embora muita gente veja o México como "aquele país onde fica Cancún", visitar esse canto do mundo é ainda fascinante.

Ali, o turista encontra traços marcantes da cultura indígena, estabelecida desde 1325, misturados a construções espanholas do período colonial. A salada histórica aparece no artesanato colorido, na música excessivamente romântica, nos drinques à base de tequila e na comida apimentadíssima - e nas expressões dos mexicanos, que lembram imagens maias e astecas.

RESUMO

Quanto mais se envereda pelo interior, mais o México verdadeiro aparece. Guadalajara, capital do estado de Jalisco, poderia bem ser um resumo desse país que mora na nossa imaginação. Foi ali, por exemplo, que surgiram os mariachis - nome provavelmente com origem na palavara francesa mariagem, que significa casamento.

Esses grupos nasceram, claro, animando festas do gênero por volta de 1800. Mariachis são sempre reconhecíveis: as roupas incluem sombreiros, calças justas e colete com enfeites prateados; os instrumentos são guitarras, violino e trompetes; o repertório traz letras carregadas de amores incompreendidos, alegrias inesperadas e outros percalços românticos.

Na capital de Jalisco, os mariachis têm uma área específica para se exibir. É a Plaza Pepe Guízar, nome do autor da música Guadalajara. Os grupos tocam todas as noites. Basta chamá-los e oferecer o equivalente a US$ 5 e agüentar o tranco.


Ritmo na cidade de Tequila é inverso ao efeito da bebida
Marcas dos astecas em Teotihuacán

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