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| Recife, Terça-Feira, 14 de Abril de 1998 |
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Dias de tensão em São Lourenço Mais de 20 pessoas foram assassinadas no município só este ano e moradores mudam rotina A insegurança e o medo tomaram conta do município de São Lourenço da Mata, na região metropolitana do Recife. Há quinze dias, a pequena cidade de 103 mil habitantes tem vivido noites de terror. Depois das 18h, ninguém sai às ruas. Os proprietários dos pequenos estabelecimentos comerciais também costumam respeitar o toque de recolher. A maioria dos moradores mudou a rotina por conta da violência. No loteamento São João/ São Paulo, o silêncio é a regra básica de sobrevivência. Até os estudantes estão apavorados com a onda de homicídios. Na Escola Municipal Inácio Gomes, a secretária, Sandra Gomes Rangel, contou que 50% dos alunos do turno da noite deixaram de assistir às aulas. "Eles têm medo de vir para a escola e não voltar para casa vivo", justificou. Sandra declarou que tinha receio para dar entrevistas à imprensa. "Aqui, quem diz alguma coisa fica visado", justificou. A secretária chegou a comentar o medo de acabar como a professora paulista Beatriz Junqueira, que foi assassinada, no dia 9, após descobrirque a aluna S.J.R., 12 anos, vendia crack na sala de aula. Testemunha, que preferiu não se identificar, confirmou que há alunos matriculados na Escola Inácio Gomes, principalmente no terceiro turno, que estão envolvidos com a rede de tráfico do loteamento. Uma aluna da 6ªsérie do turno da noite, Fátima da Silva (nome fictício), afirmou que não assiste aulas há quase um mês. "Tenho muito medo de morrer, não tenho confiança nem nos colegas de turma", disse. A seqüência de crimes no loteamento São João/São Paulo teve início, na semana passada, com a morte da namorada de Bioim, um dos chefes do tráfico de drogas no loteamento São João/São Paulo, a menor Z.B.S., 16, grávida de três meses. Depois disso, a população ficou sem sossego. A vendedora de roupas, Iraci Alves de Barros afirmou que sente-se incomodada com a situação. "Não saio nem para ir a igreja. Graças a Deus, nunca fui assaltada, mas evito dar vacilo porque senão termino no cemitério". Ao ser entrevistada pela equipe do DIÁRIO DE PERNAMBUCO, Iraci não quis ser fotografada. "Prefiro resguardar a minha imagem. Tenho filhos para criar e não quero morrer amanhã (hoje)", alegou. A vendedora explicou que é moradora de uma das regiões mais violentas do município, o distrito de Pichete. Iraci também reclamou da falta de policiamento. "A polícia prende os bandidos e depois acaba soltando". FACILIDADES O prefeito do município, Ettore Labanca, afirmou que existe uma deficiência no quadro de policiais militares. "Temos apenas duas viaturas para garantir a segurança de toda a cidade", informou. Labanca comentou que a zona rural o caso é ainda mais grave. "A dificuldade de acesso às comunidades facilita a atuação dos marginais". A assessoria de imprensa da Polícia Militar informou que a segurança da região é coberta pelo 11º batalhão. "Fazemos policiamento a pé e em pontos fixos, como no Hospital Petronila Campos e no fórum da cidade, temos ainda uma viatura motorizada e uma cabine instalada próxima ao centro comercial", declarou tenente-coronel Antônio Neto. |
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