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| Recife, Terça-Feira, 14 de Abril de 1998 |
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Secretaria de Saúde reconhece o problema A falta de notificação dos óbitos em Pernambuco, principalmente de crianças, é um problema gravíssimo. A quantidade de cemitérios clandestinos é estúpida. Essas são as palavras do coordenador do Projeto Salva-Vidas da Secretaria Estadual de Saúde, Paulo Germano de Frias. Reconhecendo a gravidade da situação - mostrada, ontem, por reportagem do DIÁRIO -, ele garante que grandes avanços já foram conseguidos de 1995 até hoje. De cada 100 mortes, 31 não são registradas em cartório. Sem dados precisos sobre números, locais e causas das mortes, as autoridades sanitárias ficam impossibilitadas de desenvolver estratégias mais eficientes na área de saúde. "O problema é complicado porque envolve uma questão cultural muito forte. O costume de enterrar as pessoas em encruzilhadas ou no fundo do quintal ainda é comum", explicou Paulo Germano. Para o coordenador, o quadro vai demorar a ser resolvido em definitivo, mesmo com ações fortes por parte do governo e sociedade. Na avaliação de Frias, a subnotificação dos óbitos e nascimentos é um problema histórico, encontrado há séculos em todo o país. "Pernambuco foi o primeiro estado a fazer um cadastro estadual dos cemitérios clandestinos e falar abertamente sobre a situação. Tanto que a discussão sobre a gratuidade das certidões dos cartórios começou aqui", afirmou, acrescentando que a dificuldade ou não em se melhorar o quadro vai depender do grau de educação do povo. Paulo Germano de Frias aponta que outros estados nordestinos não têm o mesmo nível de controle sobre a subnotificação. "Estamos abaixo das médias nacional (31%) e nordestina (40%). Para se ter uma idéia, no Ceará, sempre apontado como exemplo de sucesso, 77 em cada 100 mortes não são registradas", informou. Um exemplo da melhora seria o município de Irajá, que notificou 21 óbitos nos três primeiros meses de 1998. Em 1995, não foi feito nenhum registro. |
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