|
|
| Recife, Terça-Feira, 14 de Abril de 1998 |
|
|
Greve na Universidade Federal Professores paralisam as atividades, reivindicando aumento de 48,65% e a extinção do Programa de Incentivos Os mais de 1.600 professores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) paralisam, hoje, por tempo indeterminado, suas atividades. Além de pedir um aumento de 48,65% nos salários, a categoria reivindica ainda a abertura imediata de concurso público, a não redução do quadro funcional e o fim do Programa de Incentivo à Docência (PID) - lançado no início do ano. A expectativa é de que 64 departamentos fechem suas portas e que cerca de 15 mil alunos fiquem fora das salas de aula. Hoje, os funcionários da UFPE realizam um assembléia para decidir se aderem ou não a greve dos professores. Apesar de não receberem aumento salarial há três anos, os professores esperam principalmente a extinção do PID. O programa garante apenas aos doutores, mestres e especialistas uma bolsa de estudos durante dois anos consecutivos. O valor do incentivo varia entre R$ 1.100,00 a R$ 3.500,00. O motivo que levou a categoria a pedir o fim do projeto foi por ele não incluir os professores aposentados, os professores do Colégio Aplicação,os professores graduados e aqueles que possuem vinte horas de trabalho semanal. O presidente da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Pernambuco, Jaime Mendonça, acredita que a adesão será de 100% nos cursos de graduação. "A idéia não é prejudicar os alunos, mas ajudar a melhorar a imagem da universidade", destaca. Serão discutidos o papel da instituição e a função que ela desempenha. Hoje, às 8h, professores, alunos e funcionários estarão na entrada do campus universitário, explicando as razões da paralisação. Às 15h, haverá a primeira assembléia para avaliação e encaminhamentos. Apesar de ficarem fora das salas de aula sem saber por quanto tempo, a maioria dos estudantes apóia a decisão de greve do professores da UFPE. Mas apesar de reconhecerem os baixos salários da categoria e a necessidade em se contratar novos profissionais, os estudantes são praticamente unânimes em afirmar que a união de todos os professores fortaleceria a luta por melhores condições de ensino. "Existem muitos professores que furam a greve. Existem também aqueles que aproveitam o tempo livre para viajar, ou invés de reivindicar e protestar contra os absurdos a que são submetidos", conta o estudante de Engenharia Civil, Rodrigo Pontes, de 22 anos. O vice-reitor substituto, Amilcar Bezerra, avisa que vai esperar que o movimento aconteça para poder avaliá-lo. Segundo ele, o movimento seguiu os trâmites legais, mas não é um problema apenas de Pernambuco e sim de todas as universidades brasileiras. |
|