Recife, Terça-Feira, 14 de Abril de 1998

Documento da ONU indica alerta ambiental

Especialistas concluem que o Brasil não pode lidar com catástrofes

BRASÍLIA - Os especialistas da ONU que vistoriaram os incêndios em Roraima concluíram que o Brasil não está preparado para lidar com catástrofes e precisa tirar lições da devastação para impedir novos desastres ambientais. O relatório classifica o incêndio, que atingiu cerca de 15% do estado, de alerta ambiental e afirma que o Brasil precisa, com urgência, reforçar a qualidade e a quantidade dos meios disponíveis para conter incêndios. Apesar de não ser definida qualquer ajuda em dinheiro imediatamente, a ONU propõe o oferecimento de treinamento e equipamentos para montar a estrutura de emergência, que poderá ser compartilhada com outros países.

De acordo com o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), Eduardo Martins, esta estrutura deve incluir a educação da população local para ajudar no controle de incêndios. "O Brasil não é um país que tenha cultura de lidar com catástrofes. No México, qualquer criança sabe o que deve fazer em caso de terremoto. Aqui, a maioria dos lavradores acredita que a única maneira de cultivar a terra é queimando floresta", disse Eduardo. "O fogo é o trator e a cinza é o adubo", acrescenta.

IMPACTO

O relatório da vistoria, entregue hoje ao governo brasileiro, aponta cinco medidas emergenciais que devem ser adotadas: a realização de um estudo de impacto ambiental; a reformulação do sistemas de contenção de incêndios florestais; capitalizar a experiência com a avaliação da causa do desastre; reforçar a capacidade de intervenção dos organismos envolvidos no combate a incêndios; e desenvolver projetos alternativos de colonização da região, com menores danos ao meio ambiente.

O presidente do Ibama disse que o governo aceita e concorda com as observações da ONU. "Tanto que as medidas sugeridas já estão sendo adotadas", afirma Eduardo. Os especialistas da ONU também chamaram a atenção para os assentamentos da região. Quase a totalidade dos focos de queimada que provocaram incêndios na floresta surgiu nos assentamentos, que se concentram na região de transição dasavana (chamada de lavrado em Roraima) e de floresta densa.

Governo aguarda o contrato com BNDES

O Palácio das Princesas viveu, ontem, um dia de expectativas. É que o presidente do BNDES, Luís Carlos Mendonça de Barros, prometeu que encaminharia neste início de semana, uma proposta formal a respeito da compra das ações da Celpe. A data decisiva havia sido acertada na semana passada, no Rio de Janeiro, em reunião do presidente do banco com os secretários Dilton Da Conti, do Governo, e João Recena, do Planejamento, e com o procurador geral do estado, Izael Nóbrega. De acordo com o secretário de Imprensa, jornalista Evaldo Costa, os contatos mantidos por Da Conti, durante todo o dia, com o BNDES, sinalizavam no sentido de que os compromissos seriam mantidos. Entretanto, até o fechamento desta edição, o Palácio ainda não havia anunciado o recebimento da documentação do BNDES.

A importância da formalização da proposta está centrada no fato de que ao tomar tal iniciativa o BNDES estaria assumindo um compromisso público com Pernambuco, aceitando comercializar as ações da companhia energética do estado, e apresentando uma solução para o impasse gerado com a decisão do TCU, que exigiu a aprovação do Senado e do Banco Central para que o banco antecipasse a liberação dos recursos da Celpe. Por outro lado, com isso o BNDES estaria detalhando a operação, já discutida com os secretários pernambucanos, e oferecendo oportunidade para que a tramitação legal fosse agilizada.

De acordo com tudo que foi combinado com Da Conti, Recena e Izael Nóbrega, o BNDES deverá comprar imediatamente 37% das ações da companhia pertencentes ao governo do estado.

Esquenta disputa entre canavieiros

As eleições para renovação da diretoria da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco, começaram a esquentar. Ontem, último dia para registro de chapas o presidente da diretoria atual, Manoel Antônio Soares Neto, que concorre à reeleição, impediu que o grupo de oposição registrasse a sua chapa. Houve tumulto, muito bate-boca mas a secretaria da entidade não aceitou o registro. Hoje a oposição, liderada pelo fornecedor de cana Fernando Rabelo, vai entrar na Justiça com uma medida cautelar inominada, com efeito de liminar, para que seja garantido o registro da chapa- conforme adiantaram os advogados dos oposicionistas, José Augusto Queiroz e José Otávio de Queiroga, com base no que regem os artigos dos estatutos sociais regulamentadores do processo eleitoral. A eleição está programada para o dia 27 deste mês.

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