Recife, Terça-Feira, 14 de Abril de 1998

Campanha pela paz mobiliza irlandeses

Protestantes e católicos defendem aprovação de compromisso pacifista

BELFAST - Os dirigentes de partidos protestantes e católicos do Ulster realizarão, esta semana, várias reuniões com o objetivo de que o acordo de paz, concluído sexta-feira, conte com o maior apoio popular possível.

Ontem, ocorreu sem incidentes o primeiro desfile orangista (protestante) de uma longa série que dura até o verão (boreal) e que quase sempre deu lugar a violências e conflitos.

Os orangistas mostraram sua boa vontade aceitando a mudança do percurso de seu desfile para evitar a passagem por um bairro católico.

A reunião da Grande Loja Orangista, marcada para amanhã, com participação de alguns dos unionistas mais radicais, também será simbólica. Se ela rejeitar o acordo de paz, David Trimble, dirigente do maior partido protestante do Ulster (UUP, moderado), ficará em situação difícil.

DIFICULDADES

Sábado passado, Trimble cumpriu com sucesso uma primeira etapa difícil, ao obter o apoio das duas terceiras partes do comitê executivo de seu partido. No próximo sábado, deve conseguir a aprovação do Conselho da UUP, integrado por 800 pessoas.

Embora este exercício pareça menos perigoso que o primeiro - o Conselho tem muitos integrantes da jovem guarda mais abertos às mudanças que os veteranos do comitê executivo -, os votos cada vez mais duros dos opositores de David Trimble e, sobretudo, os de pelo menos cinco dos dez deputados do UUP, podem pesar negativamente no resultado da reunião.

David Trimble que amanhã se reunirá com os deputados de seu partido, disse, no entanto, que está convencido de que conseguirá uma adesão mais ampla.

NOVA ETAPA

A tarefa de seu grande adversário católico Gerry Adams, dirigente do Sinn Fein (braço político do IRA), será mais fácil, a julgar pela ovação dos 4 mil militantes que o receberam, sábado, durante uma comemoração do levantamento da Páscoa de 1916 contra o odiado colonizador britânico.

Desde a assinatura do acordo, Gerry Adams e seu assessor, Martin McGuinness, repetem, incessantemente, que este acordo só representa uma nova etapa da luta republicanaque levará algum dia à reunificação da Irlanda, dividida em 1921, e que é a melhor alternativa possível.

Anteontem, o líder do Sinn Fein elogiou o IRA, por não só saber fazer a guerra, como também saber dar oportunidades à paz. O IRA respondeu numa mensagem ao ato comemorativo felicitando o Sinn Fein por seus esforços.

O ex-senador norte-americano George Mitchell, que presidiu as negociações de paz, disse que teme uma campanha de violência dos extremistas dos dois lados, mas destacou que com isso não conseguirão questionar o acordo que conseguimos.


Acordo passa pelo primeiro teste

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