(Atualizado no dia 10/4/1998)

Tacaimbó aposta na inseminação em bovinos

A Cooperativa dos Produtores recebeu incentivo do Prorural

Cesar Nogueira

Na paisagem árida do Agreste pernambucano, onde o problema da seca é grave e o pasto não é suficiente para alimentar o rebanho, muitos pecuaristas estão conseguindo produzir uma média diária de até 15 litros de leite por animal. Um projeto da Cooperativa Agrícola Mista dos Pequenos Agricultores de Tacaimbó- Campeata, financiado pelo Prorural - órgão da Secretaria Estadual de Planejamento- , está conseguindo aumentar a produtividade, investindo na inseminação artificial e melhoramento genético das vacas.

Em toda a extensão do município, existem quase 1.500 pequenas propriedades. Desse total, apenas 200 dedicam-se à produção de leite, sendo que existem 40 pecuaristas de médio e grande porte e 160 pequenos produtores. Não existe um número oficial, mas a Cooperativa estima que o rebanho, formado em sua maioria por animais mestiços, não seja superior a cinco mil cabeças.

O projeto da Campeata, aprovado pelo Prorural, recebeu um investimento de R$ 20 mil para a compra de uma moto, construção de laboratório, aquisição de botijões- para armazenamento de sêmen e de material para inseminação - e treinamento de técnicos. Em um ano, foram inseminadas cerca de 320 vacas, com sêmen de animais das raças Gir, Holandês, Jersey, Pardo Suíço e Nelore. O presidente da cooperativa, Sebastião José da Silva, explica que os produtores pagam uma taxa que varia de R$ 13,00 a R$ 23,00, por uma dose aplicada, dependendo da raça e origem do animal doador.

A cooperativa mantém um técnico em plantão permanente, para o atendimento dos animais. " Quando o pecuarista percebe que a vaca entrou no cio, ele avisa e o técnico vai até a propriedade, levando o sêmen e todo o material necessário para a inseminação" , explica a agrônoma Elizabeth Szilassy, coordenadora do programa. Segundo ela, além do técnico providenciar uma ficha para o controle da inseminação, calcula a data provável para o parto do animal. "Atualmente, de acordo com nossos registros, estamos fazendo uma média diária de quatro inseminações, com um índice de fertilização próximo aos 80%" , comemora.

Elizabeth Szilassy explica que, no início, o programa sofreu uma certa resistência por parte dos criadores, receosos em se desfazer dos animais reprodutores. " Mas isso está acabando. A maior parte dos pecuaristas está acreditando no projeto e investindo na inseminação artificial" , observa ela. E acrescenta que a cooperativa está começando a atender produtores de outros municípios. Segundo ela, o sêmen que a cooperativa está utilizando nesse programa é de excelente procedência. Esse é um bom motivo para que os produtores acreditem neste trabalho.

"Esse é um projeto cujo exemplo deve ser seguido. Pois é um programa que foi bastante discutido com os associados da cooperativa e está conseguindo apresentar excelentes resultados na região da bacia leiteira de Tacaimbó", comentou o diretor de Operações do Prorural, Gentil Gomes.

QUALIDADE

O policial militar aposentado Geraldo de Souza Araújo, 46 anos, proprietário de uma área com 72 hectares, na Fazenda Santo Antonio, a três quilômetros docentro de Tacaimbó, não esconde a satisfação com o programa e diz que no seu rebanho de 40 vacas, pelo menos 22 já foram inseminadas. "O leite dos meus animais é o melhor da região. Estou vendendo o litro a 35 centavos, mas não tenho produção suficiente para atender os pedidos" , diz.

Geraldo Araújo afirma que, mesmo com a seca, tem animais produzindo 15 litros de leite ao dia, e garante que trabalha com algumas novilhas inseminadas com perspectiva de produzir 30 litros de leite. "Não adianta o produtor ficar preso ao passado. Tem que investir em tecnologia para aumentar a produtividade e tornar o leite um negócio rentável", acredita.


Fale conosco diario@dpnet.com.br

MAPA BRASIL ECONOMIA ESPORTES HISTÓRIA HUMOR
INFORMÁTICA INTERIOR MUNDO VEÍCULOS VIAGEM VIDA URBANA VIVER