(Atualizado no dia 10/4/1998)
Eudes Santana Se for bem monitorada, a produção de peixe na zona rural pode dar uma grande contribuição na dieta alimentar da população pernambucana

O Interior está para peixe

Os projetos particulares são grandes responsáveis pelo crescimento do setor

Cláudio Castanha

Mas não são apenas os pescadores e donos de açudes que começam a ganhar dinheiro com peixes. A piscicultura com fins lucrativos está virando moda entre os fazendeiros e proprietários dos inúmeros parques rurais de lazer, tipo pesque e pague, espalhados por quase todas as regiões interioranas. Outros mantêm as varidades Carpas e Tambaquis nos açudes para suprir a parte produtiva da propriedade, como fazem os pecuaristas Slaibe Hatem, no município de Bezerros, ou Paulo Correia Neto, na Fazenda Faco, em Ribeirão

Para atender à demanda de tantos viveiros de peixe, Pernambuco dispõe de sete empresas especializadas na produção de alevinos, que estão realizando grandes negócios pegando uma carona na iniciativa do Governo do Estado de fomentar a todo o custo a produção de pescado no Interior. Só no ano passado, o governo estadual distribuiu, através da Secretaria da Agricultura, 1,5 milhão de alevinos para povoar cerca de 700 açudes e grandes reservatórios espalhados entre 128 municípios das regiões dos sertões doAraripe, Central, Pajeú, Moxotó, do Vale do São Francisco, Vale do Ipojuca e regiões do Agreste, em locais como Garanhuns, além do Alto e Baixo Capibaribe e dos municípios da Zona da Mata Norte e Sul.

Praticamente nenhum açude público deixou de receber alevinos neste governo de Miguel Arraes. Tornar Pernambuco auto-suficiente em pescado seria um propósito do governador, segundo seus colaboradores mais diretos. Para suprir as necessidades de peixamento e solicitações das prefeituras e associações das cidades do Interior, o Estado recorre aos centros de produção de alevinos que a Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária (IPA) mantém em Serra Talhada, Porto de Galinhas e na sede do Recife. Conta ainda com o apoio dos centros de produção do Dnocs, em Ibimirim, e do Ibama, na região de Suape.

De acordo com o engenheiro de Pesca Roberto Maurício Batista, do Departamento de Recursos Pesqueiros (Derpe) da secretaria estadual da Agricultura, é propósito do Governo fomentar a piscicultura em sua plenitude,desde a garantia do fornecimento de alevinos, manejo e arraçoamento adequado até o tratamento com o pescado, a questão do meio ambiente e a utilização adequada dos apetrechos de pesca. Outra preocupação do pessoal do Despe é com relação à pesca organizada com fins econômicos, através de grupos associativistas. Um exemplo importante vem de Venturosa, onde a população e a piscicultura estão organizadas e produzindo renda, emprego e alimento adicional para a população.


Estado aposta na piscicultura
Uma boa alternativa para o Sertão

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