(Atualizado no dia 8/4/1998)

O DOS morreu. Viva o DOS!

O anúncio de que não haverá uma nova versão do veterano sistema operacional não causou surpresas

Por Jay Dougherty, da DPA

Enfim, o anúncio é oficial: após anos de vaivém, os usuários de computadores de todo o mundo terão de enfrentar, agora definitivamente, o fato de que não haverá mais uma nova versão do venerável sistema operacional DOS da gigante Microsoft. O anúncio, feito na semana passada pelo presidente da Microsoft, Bill Gates, em uma conferência de programadores na Flórida, causou surpresa a poucos. Mas o comunicado categórico deixará os usuários recordando-se por algum tempo dos bons velhos tempos do DOS. Dave Burke, um administrador de sistema da Cincinatti Bell Information Systems de Virginia, lamentou o fim do DOS afirmando que o velho sistema, apesar de sua arcaica interface baseada em linhas de comando e sua memória limitada, tinha vantagens que o multicolorido Windows não pode igualar.

O DOS era a própria simplicidade. É verdade que carecia de uma interface gráfica, não tinha ícones coloridos nem um menu de início. Mas quando se tinha de fazer um trabalho, o DOS e os aplicativos que com ele funcionavam resolviam.QUALIDADES

Há quem diga que o DOS era difícil de aprender. Mas depois de estudar algumas poucas ordens muito simples, podia-se facilmente copiar e criar arquivos e formatar aqueles disquetes simples de 5 1/4 polegadas. Com o Windows, com toda sua suposta simplicidade, há usuários que após anos de uso, não sabem sequer como usar o sistema operacional para formatar um disquete.

Quando se trata de aplicativos para instalar e desinstalar programas, o DOS supera o Windows em matéria de facilidade de uso. Programas como o WordPerfect para DOS ou Lotus 1-2-3 instalavam todos os seus dados em um único arquivo. Caso o usuário quisesse eliminar os programas, bastava apagar diretamente seus arquivos.

Os programas Windows, pelo contrário, espalham os dados em múltiplos arquivos do disco rígido, sem explicar onde instalou o que. A eliminação desses programas, mesmo usando aplicativos de desinstalação, pode se converter em um pesadelo, já que sempre sobram restos de programas impossíveis de apagar escondidos em algum canto- ocupando memória e atrapalhando outros aplicativos.

O DOS raramente sofria colapsos. Isso pode ser difícil de entender para aqueles que se criaram com o Windows, mas houve um tempo em que os usuários quase nunca precisavam desligar e ligar de novo seus computadores, ao longo de um dia de trabalho. Quando isso ocorria, era geralmente por culpa de um aplicativo com defeito e resolvia-se o problema eliminando-o ou aprendendo a conviver com ele.

FALHAS

Com o Windows, as falhas podem ocorrer, e de fato ocorrem, por tantas razões que é impossível achar um culpado. Pode ser um aplicativo que não se comporta como deveria, pode ser um driver para um periférico que não foi bem definido, e pode ser o Windows mesmo. Na realidade, buscar a origem de uma falha do Windows dá tanto trabalho que o usuário se acostumou à solução mais simples: dar um reset no computador.

E falando de iniciar o computador, o DOS era mais rápido do que o Windows jamais poderá ser. Você se lembra quando ligava o computador e em apenas quinzesegundos podia começar a trabalhar? Se o único sistema que você conhece é o Windows, a resposta provavelmente é não.

Os devotos do Windows estão acostumados a um lentíssimo processo de "arranque". Muitos ligam o computador, vão pegar uma xícara de café e, quando voltam minutos depois, com muita sorte vêem que o equipamento está recém-terminando o processo de inicialização - se é que não está parado, esperando uma senha para prosseguir. Há aqueles que durante o dia não desligam o computador como se fazia antes porque leva muito tempo para reiniciá-lo.

E cada vez que um computador equipado com o sistema Windows trava, o processo de inicialização começa de novo, fazendo com que diminua o tempo de produção. Pode-se chamar isso de progresso?

Por último, o DOS era rápido. Graças a suas dimensões menores e a seu núcleo reduzido a um código compacto, o DOS deixa o Windows muito atrás em matéria de rendimento.

Mas, chega de lamentações, pois, como disse o próprio Bill Gates, é hora de enfrentar a realidade e deixaresse velho sistema operacional para os livros de história, já que a Microsoft não nos proporcionará mais uma versão modernizada dele. Adeus DOS, o lembraremos com carinho.


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