Recife, Terça-Feira, 14 de Abril de 1998
Alexandre Gondim As irmãs Andréa e Roberta da Rosa Borges dominam as competições de optimist no continente. As duas são, respectivamente, as atuais campeãs brasileira e sul-americana

As superirmãs do optimist

Roberta Aureliano
Da equipe do DIÁRIO

Nada melhor que recordar as vitórias, mesmo que elas sejam recentes. A agenda das irmãs Roberta e Andréa da Rosa Borges após o desembarque no aeroporto Internacional dos Guararapes foi cheia. Entrevistas, almoço na casa da avó, trânsito complicado. Demorou para chegar em casa. Descanso? Que nada! O que as duas queriam era assistir a fita de vídeo que compraram em Cartagena, na Colômbia, onde conquistaram o Campeonato Sul-americano de Optimist. Nada mais justo, queriam rever as boas atuações e ainda o momento do pódio, quando Roberta recebeu o troféu de campeã e Andréa o de vice.

"Foi um campeonato rápido e cansativo. Das dez regatas realizadas, sete foram disputadas em dois dias. Foi duro", reclama Roberta. Andréa também compartilha da opinião da irmã. "Foi muito puxado e a gente não teve tempo para nada". As duas garantem que não armaram nenhuma estratégia na competição, pelo contrário, quando estão no mar esquecem que são irmãs. "Não houve nenhuma estratégia. Às vezes a gente até se estranha dentro da água", admite a mais velha. "Podemos dizer que existe uma pequena rivalidade", completa Andréa.

Além da aparência física, Roberta e Andréa têm personalidades parecidas. Admitem que são caladas, mas não tímidas. Os gostos são quase idênticos. Roberta pratica optimist, vôlei e ginástica. Dos três esportes, Andréa só não faz a ginástica. O que mais impressiona é a história das duas velejadoras nos campeonatos. Tudo é muito parecido. Quando conquistou o seu primeiro título brasileiro, em 96, Roberta ficou em segundo lugar no campeonato sul-americano do Equador, categoria feminina. No ano seguinte, o feito de Roberta foi ainda melhor. Faturou o bicampeonato nacional e ainda ficou em segundo lugar na classificação geral, posição que nenhuma velejadora brasileira conseguiu até hoje. No Sul-americano, novamente foi prata.

Andréa, que acabou com a hegemonia de Roberta no Brasileiro desse ano, impedindo que ela conquistasse o tricampeonato nacional, ficou em segundo lugar no sul-americano. "Os nossos resultados são parecidos. Estou indo no mesmo caminho da minha irmã. Mas espero que a história no final seja um pouquinho diferente: que eu não seja vice-campeã duas vezes consecutivas no sul-americano", brinca Andréa.

A única diferença marcante entre Roberta e Andréa é que a mais velha deseja que vente forte nas regatas, enquanto a mais nova torce pelos ventos fracos. "Não sou mais tão leve. Ganhei o Ssul-americano na base da experiência. Ventou muito pouco", revela Roberta. Já Andréa quer ventos fracos e constantes. "É mais fácil velejar e ganhar as regatas. Essa é a chance dos mais novos", argumenta.


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