Recife, Terça-Feira, 14 de Abril de 1998

Todo Duro na hora da verdade

O confronto entre o pernambucano Luciano Todo Duro Torres e o potiguar Gilvan Demolidor Sales, programado para hoje, a partir das 20 horas, no Atlético Clube de Amadores, promete. Ontem à tarde, numa pizzaria de Boa Viagem, local de um coquetel para o lançamento do evento Circuito de Vale Tudo, o clima esquentou. Os dois lutadores foram apresentados e, nada amistosamente, tomaram conhecimento das regras do vale tudo. Além dos acertos sobre a luta, o Demolidor foi agraciado com um presente nada agradável: um caixão de defunto, simbolizando que, após o término do duelo, o lutador estará morto.

O juiz da luta, Jorge Gama, fez questão de esclarecer o que será permitido durante o combate. A disputa será feita em dois rounds de 10min. O lutador poderá usar o protetor bucal e genital, sendo opcional o uso de luvas. O árbitro poderá interromper a luta, quando um dos lutadores estiver sangrando gravemente. Apesar da violência que o esporte permite, Jorge diz que não permitirá massacre dentro do ringue. "É função dojuiz zelar pela integridade física do atleta. Não vou permitir luta sangrenta. Se a regra não for cumprida, não haverá luta", adianta Gama.

No início da coletiva, o clima era de descontração. Sentindo-se em casa, Todo Duro se mostrava confiante. "A luta é muito cruel, mas ele veio aqui e me desafiou. O nome da luta já diz tudo, então vale martelo, meia lua, pernada, ele que se cuide", diz Todo Duro, se referindo a alguns golpes de capoeira, luta que ele já praticava antes de iniciar a carreira no boxe. Com toda sua irreverência, Luciano diz que não vê a necessidade de um árbitro intermediar o duelo. "Ele que se cuide. Na hora da lapada, é melhor ele cair fora do ringue. Vão subir dois e descer apenas um. O Demolidor já sabe que o caminho dele estará todo iluminado e cheio de flores", brinca Luciano.

A idéia de levar um caixão para o adversário foi mais uma irreverência do ex-campeão mundial de boxe, na categoria supermédios - agora luta na meio-pesado. "Nós que lutamos boxe estamos acostumados a aguentaros murros. Mas, e quando eu acertar uma bomba na cara dele, quem é que vai pagar o enterro?", indagou. "Como já fiz essa pergunta várias vezes, e não apareceu ninguém para pagar o caixão, resolvi eu mesmo comprar um", falou, caindo na gargalhada.

Há cerca de um mês, em Salvador, Todo Duro voltou aos tempos em que era apenas um jogador de capoeira e se envolvia em algumas brigas de rua. Na pesagem para o combate com o baiano Reginaldo Holyfield, o pernambucano perdeu a esportiva e, num gesto intempestivo, agrediu o adversário com um tapa no peito. O revide veio rápido, e Holyfield acabou ganhando o primeiro round, fora do ringue. Durante a luta, o baiano voltou a levar a melhor, vencendo por nocaute técnico. "A torcida estava toda do lado dele, e até jogou latas dentro do ringue. Não tenho medo daquele cabra. Quero lutar com ele em algum lugar neutro. Já estraçaiei com ele uma vez, e garanto que posso ganhar de novo", se defendeu. As informações são de que as negociações para uma nova revanche entre os doislutadores já foram iniciadas.

IRRITAÇÃO

Quem não veio para brincadeira foi o potiguar Gilvan Sales que, irritado com as brincadeira de Todo Duro, acabou atirando um copo d'água no rosto do pernambucano. "Espero que ele seja bom na porrada, como ele é de boca. Não luto fazendo palhaçada. Vou ensinar a ele como se luta vale tudo. Ele vai ficar todo mole no final da luta", avisa o Demolidor. Com um currículo invejável, Gilvan mostra diversas cicatrizes no corpo, resultado dos combates mais sangrentos de sua carreira. Em mais de trinta combates, perdeu apenas dois.


Origem

Fale conosco diario@dpnet.com.br

MAPA BRASIL ECONOMIA ESPORTES HISTÓRIA HUMOR
INFORMÁTICA INTERIOR MUNDO VEÍCULOS VIAGEM VIDA URBANA VIVER