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| Recife, Terça-Feira, 14 de Abril de 1998 |
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Ásia corre risco de turbulência FMI diz que efeitos da crise serão moderados para as economias em desenvolvimento WASHINGTON - A crise financeira centrada na Ásia amainou desde janeiro, mas o risco de novas turbulências permanece, de acordo com o relatório World Economic Outolook (Perspectiva Econômica Mundial), divulgado ontem pelo diretor do Departamento de Pesquisa do Fundo Monetário Internacional (FMI), Michael Mussa. Já o Brasil, a Argentina e a Rússia figuram como países dignos de um elogio, porque - segundo o FMI - foram capazes de se proteger da avalanche asiática. O PIB japonês deverá continuar em queda até o fim do primeiro semestre e recuperar-se no segundo, com crescimento nulo na média do ano, segundo Mussa. O pacote fiscal anunciado pelo governo poderá acrescentar uns 2% à demanda interna de bens e serviços, mas o efeito, se ocorrer, só deverá ser sentido a partir da segunda metade do ano, disse o economista. Ele advertiu, além disso, para o risco de se perder o impulso no próximo ano, caso o governo japonês, repetindo um erro do ano passado, elimine os incentivos fiscais depois dos primeiros sinais de crescimento econômico. A freada poderá ser mais forte se alguma derrapagem na política econômica da Ásia agravar a crise. A crise também se reflete em cotações mais baixas para os produtos básicos, como o petróleo. Haverá perdas maiores para os países mais dependentes desses produtos. O fluxo líquido de capitais privados para os países em desenvolvimento deverá cair de US$ 154,7 bilhões no ano passado para US$ 99,5 bilhões. O investimento direto deverá diminuir de US$ 119,4 bilhões para US$ 99,1 bilhões. O maior impacto ocorrerá, segundo o estudo, nas aplicações em títulos, com redução estimada de US$ 40,6 bilhões para US$ 19,4 bilhões. Os cinco países situados no centro da crise deverão enfrentar uma severa retração. Segundo as projeções do FMI, o crescimento do PIB passará de 7,8% em 1997 para 2,5% na Malásia e de 5,1% para 2,5% nas Filipinas. Na Coréia, a variação do PIB mudará de sinal, saindo de uma expansão de 5,% para uma contração de 0,8%. Na Tailândia, o sinal continuará negativo: o PIB diminuiu0,4% em 1997 e deverá encolher 3,1% em 1998. Os autores do relatório são cautelosos quanto à rapidez e à intensidade da recuperação nesses países. Dois fatores de grande importância serão o crescimento das exportações e a volta dos financiamentos. A reação comercial ocorrerá em primeiro lugar, segundo os técnicos do FMI, favorecida pela desvalorização cambial e consequente barateamento das exportações. O fluxo de capitais dependerá da confiança do mercado nas políticas de ajuste e nas perspectivas de cada economia. A economia chinesa, pouco afetada pela crise, ainda poderá crescer uns 7% neste ano. |
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