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| Recife, Terça-Feira, 14 de Abril de 1998 |
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Brasil tem encontro com países do G-7 O ministro brasileiro da Fazenda, Pedro Malan, e o presidente do Banco Central, Gustavo Franco, participarão quinta-feira da primeira (e, em princípio, única) reunião do que já está sendo chamado de G-22, por colocar à mesma mesa representantes do G-7 (os sete países mais ricos do mundo) e de 15 nações em desenvolvimento. Agenda do encontro: discutir as lições deixadas pela crise asiática e, por extensão, como fortalecer o sistema financeiro mundial para evitar novos episódios do gênero. Durante sua estada no Brasil, o economista Paul Krugman disse que há países, como a Austrália, com números macroeconômicos piores que os do Brasil, mas que não ficam sob suspeição por serem brancos , ou seja, ricos. A frase de Krugman foi repetida, em conversas separadas, pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo presidente do BC, em clara indicação de qual é o espírito da delegação brasileira. Gustavo Franco é mais explícito ao explicar o que seria "país branco : "Se você tem um sistema internacional que prevêsalvaguardas para países que, de tão importantes, não podem quebrar, você acaba punindo países como o Brasil, que, por não ser tão importante, são deixados à própria sorte . A reportagem ouviu ainda, junto ao governo, uma comparação eloqüente: se os Estados Unidos deixam sempre claro que a Rússia, por ter armas atômicas, não pode quebrar, passa a ser mais negócio para o Brasil construir armas nucleares do que acumular reservas internacionais. VÍTIMAS A iniciativa da reunião é do governo norte-americano, mais especificamente de seu secretário do Tesouro, Robert Rubin, incorporada pelo G-7 meio a contragosto. Além do Brasil, participarão Argentina, México, Rússia, África do Sul, India e Polônia, além dos países asiáticos, vítimas diretas ou indiretas da crise. O G-7 é composto por Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Grã-Bretanha, Itália e Canadá. O encontro será em Washington, aproveitando reunião do FMI (Fundo Monetário Internacional). A heterogeneidade da assembléia leva Gustavo Franco a dizer que seu resultado "é imprevisível. Primeiro porque a presença dos asiáticos que abertas , diz o presidente do BC brasileiro. Segundo, porque é certo que países como a India apresentarão propostas heterodoxas no tratamento do fluxo global de capitais. Acrescenta Gustavo Franco: "Mesmo que, concretamente, não se traduzam em se dilua de alguma forma o consenso internacional sobre esse tipo de questões, que é predominantemente liberal. Mesmo com essas ressalvas, o encontro de quinta-feira será mais que uma mesa-redonda sobre o sistema financeiro internacional. Ainda mais que dela resultará a criação de três grupos de trabalho, cada um deles integrado por um representante de país do G-7 e um ou mais dos demais países. |
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