Recife, Terça-Feira, 14 de Abril de 1998

Tamanho família

PANORAMA POLÍTICO
Tereza Cruvinel

"Se não cassarem o Sérgio Naya, os deputados é que serão cassados na eleição", diz o senador Antonio Carlos Magalhães, a propósito do julgamento do dono da Sersan, marcado para amanhã. No baixo clero, Não se nota disposição alguma para punir. O PTB está irritado com a antecipação, para hoje, do julgamento de seu deputado Pedrinho Abrão. Acha que é manobra para justificar a absolvição de Sérgio Naya. - Estão usando o Pedrinho como bucha de canhão. Se ele for cassado, a Câmara se sentirá com crédito popular para absolver o Naya. E se o Pedrinho for absolvido, fica também mais dificíl cassarem o Naya. O PTB não gostou nada desta inversão de pauta e tentará modifificar isso - protestava ontem o líder petebista Paulo Heslander. Não há mais santo ou menos santo na história, e de fato, como alega a Mesa da Câmara, o processo de Abrão é bem mais antigo que o de Naya. Abrão foi acusado por um empreiteiro de pedir comissão para incluir uma emenda no Orçamento do ano passado. Naya, dono da Sersan, construtora do edifício Palace II, que desmoronou matando oito pessoas em fevereiro, confessou atos incompatíveis como decoro parlamentar em fita gravada durante encontro com vereadores em Minas. A diferença está no lobby. O de Naya parece ser muito mais poderoso. Além do corpo-a-corpo que faz pessoalmente, falando com cada parlamentar, ele está recebendo, segundo Heslander, a valiosa ajuda do deputado distrital Luís Estêvão, também incorporador e seu parceiro em pelo menos um grande empreendimento. Hoje, devem chegar a Brasília ônibus lotados com eleitores de cidades do Sul de Minas, trazidos por Naya. Farão uma manifestação pedindo sua absolvição. Para que os dois sejam cassados, faz-se necessária a presença e o voto de 257 deputados. Quem toma o pulso do baixo clero não nota nenhuma disposição para cassar um ou outro. Muito pelo contrário. Mas quem votar pela absolvição, entretanto, pode sofer o vaticínio de ACM, a cassação pelas urnas. Assim, a grande maioria, de cuja presença depende a ocorrência do julgamento, pode optar porsimplesmente não aparecer, negando quórum. Uma espécie de oração pela impunidade: perdoemos as faltas deles, para que um dia, se preciso, perdoem as nossas. Mas se tudo terminar mesmo grande pizza, ficará mal não só para os complacentes, mas para todos os deputa que disputarão novo mandato em outubro.

Peça de campanha

A cada um dos ministros que deixou seu Governo para ser candidato, Fernando Henrique escreveu cartas derramadas. A de Luiz Carlos Santos, que foi seu coordenador político, é um atestado de gratidão presidencial. Não há dúvida de que serão inteiramente conhecidas quando começar a campanha eleitoral.

A falta que fará

A melhora do estado de saúde do ministro Sérgio Motta, verificada ontem, trouxe conforto a seus parentes, ao presidente e aos correligionários. A continuidade do programa de privatização no âmbito de sua pasta fica assegurada com a nomeação do ministro interino. Mas é em seu papel político que Motta é praticamente insubstituível. Os tucanos concluem, desolados, que enfrentarão a eleição desde ano com o "trator" fora de combate. Recuperando-se, Motta tem pela frente uma longa convalescença. Ele traçou linhas gerais da campanha do PSDB, pensando na eleição do maior número de governadores e de deputados. Com Motta fora combate, deve crescer o papel político do ministro José Serra, embora tenham estilos tão diferentes.

Mais chumbo

O número 0800-611535 foi oferecido ao público, pelo Governo, para a obtenção de informações sobre a situação das rodovias. Mas quem ligar fora do horário comercial ouvirá propaganda de FH. Por conta disso, o líder do PT, Marcelo Déda, entrou com representação contra o presidente junto ao TCU.

A CUT de Brasília queimou no sábado um judas de 12 metros, representando FH. "Um protesto tolo, que custou o suficiente para comprar 700 cestas básicas", diz o líder tucano José Roberto Arruda. DO deputado petista Milton Temer sobre a birra do PSB, que ameaça não apoiar Lula se não tiverem um nome na chapa de Brasília. "Para vice do Cristóvam, eles não tem ninguém mais amplo que Sigmaringa Seixas. E para o Senado, nenhum candidato natural como Arlete Sampaio. Estão fazendo é chantagem".

A lei dos planos de Saúde está parada no Senado. O relator, Sebastião Rocha, do PDT, não apresentou ainda seu relatório alegando a necessidade de ampliar as consultas. Enquanto isso, as seguradoras vão se armando.

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João Alberto
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