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| Recife, Terça-Feira, 14 de Abril de 1998 |
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O ponto dos juros PANORAMA ECONÔMICO O presidente do Banco Central, Gustavo Franco, disse que os juros estão chegando "ao nível da normalidade", e que após a reunião de amanhã o próximo movimento de queda será bem menor do que o anterior. "Todo mundo sabe que passada esta reunião a próxima não vai trazer uma queda dos juros do mesmo tamanho", afirmou. Ele estará em Nova York, mas vai participar da reunião do Copom através de conference call. O mercado acha que esta reunião do Copom deve levar os juros para 23% ou 24%. Isto seria uma queda de quatro a cinco pontos percentuais abaixo da TBC de hoje. Gustavo Franco não aceita, evidentemente, falar de números, mas avisa que após esta reunião as quedas "se ocorrerem" serão menores. Sobre a possibilidade de mudança no ritmo de desvalorizações para abrir mais espaço para queda dos juros, ele afirmou: "Eu não vejo necessidade de fazer isto assim." De qualquer maneira comemora o fato de que o debate econômico esteja abrindo a discussão sobre qual é o nível possível dos juros, levando-se em conta aatual política cambial. - Existe um trade-off entre taxa de juros e desvalorização. Quem propõe um aumento da desvalorização tem que saber que isto vai elevar os juros, em vez de reduzir. No debate especializado não tem mais milagreiro, todo mundo sabe a relação juros-câmbio. Mas quem faz charlatanismo barato tem ignorado este fato - afirmou. Ocorre que depois da queda desta semana praticamente estará esgotada a capacidade de o Banco Central reduzir os juros. É por isto que muito provavelmente o Banco Central terá que discutir a redução das desvalorizações ou a diminuição da cunha fiscal, como tenho repetido aqui. Gustavo Franco como presidente do Banco Central foge de perguntas frontais sobre este assunto. Insiste apenas em apontar que depois de quarta-feira não haverá mais quedas bruscas: - Depois desta redução nas taxas de juros, a próxima queda, se houver, não será mais um movimento significativo. Estamos chegando próximo à normalidade em termos de taxas de juros. Eu perguntei o que era normalidade na sua visão e ele respondeu: - É o nível pré-crise, lembrando-se que o mundo agora é um pouco diferente daquele e os nossos velhos problemas não melhoraram, como a situação fiscal, por exemplo. A Reforma da Previdência ainda não foi aprovada. Em alguns pontos nós até pioramos. Na última hora, outros interessados nas empresas da Eletropaulo entraram nas negociações. A Enron e o grupo Opportunity e Escelsa. Além das que já estavam no páreo: Light e a VBC. Solução A solução encontrada pelo Governo mantém sem risco de interrupção a privatização da Telebrás, apesar de o ministro Sérgio Motta ter montado uma estrutura de venda da Telebrás diferente de todas as outras privatizações. A Comissão de Privatização foi montada no Ministério das Comunicações, mas com funcionários de outros órgãos do Governo. Luiz Carlos Mendonça de Barros sempre atuou na comissão como um braço direito do ministro Sérgio Motta. É natural, portanto, que ele passe a presidir a comissão. Representantes O Brasil conhece os dois lados do novo superbanco americano. O Bank of America foi um dos maiores credores do Brasil na década de 80. O Nations veio noutra era: é sócio da Vale, comprou o Liberal e avisou ao Banco Central que vem comprar outro banco no país. Mas o próprio Banco of America também disse que tem interesse em comprar uma instituição bancária no país. A questão a saber é se a fusão fará com que eles disputem o Banespa, ou tornará impossível uma operação grande como esta? Estas fusões, às vezes, tornam o processo de decisão mais lento na instituição. Pelo menos, no começo. Afinal é o casamento de dois gigantes. Big câmbio A defasagem do real frente ao dólar, medida pelo índice BigMac, é de 6% pela última "The Economist". Mas ontem com a redução do preço dos seus produtos anunciada pela McDonalds em São Paulo, a defasagem vai cair para 1,17%. Samurai O último relatório do Banco Central do Japão é preocupante. O superávit em conta corrente subiu 97,1%, as importações caíram 17%, o superávit comercial só faz aumentar. Parece uma tentativa de provar que a virtude não compensa. De Gustavo Franco sobre a proposta da economista Eliane Cardoso de deixar o câmbio flutuar: "Não entendi bem o que ela estava propondo." Eduardo Amadeo assume hoje a Secretaria de Combate às Drogas, na Argentina. O homônimo do ministro brasileiro era até ontem o secretário de Desenvolvimento Social. Está no DO de hoje: Eduardo Jorge sai da Secretaria Geral da Presidência. Vai cuidar da campanha. Eduardo Graeff assume o cargo. |
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