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| Recife, Terça-Feira, 14 de Abril de 1998 |
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Seqüestradores em greve de fome Os dez envolvidos no seqüestro do empresário Abílio Diniz querem ser devolvidos aos seus países de origem SÃO PAULO - Os dez seqüestradores do empresário Abílio Diniz entraram em greve de fome às 6h de ontem na Penitenciária do Estado, no Carandiru, em São Paulo, onde cumprem pena desde o dia 17 de dezembro de 1989. Eles ignoraram a proposta do governo brasileiro que, através de acordos com o Chile, Argentina e Canadá, acenou com a possibilidade de devolvê-los aos países de origem, para que lá continuassem a cumprir as sentenças, de 26 e 28 anos de reclusão. "O governo brasileiro terá de escolher entre assumir a responsabilidade de acabar com a sede de vingança e a violação de nossos direitos, devolvendo-nos à cidadania, ou pagar o preço de, mais que a liberdade, tirar nossa vida", diz um trecho do dramático comunicado assinado pelo grupo. Os deputados que os visitaram ontem à tarde disseram que a decisão do grupo é um caminho sem volta: o presidente Fernando Henrique Cardoso, utilizando o Estatuto dos Estrangeiros e o Código Penal, expulsa os estrangeiros e indulta o brasileiro Raimundo Rosélio Freire ou o movimento só termina com a morte dos presos. "Essa é uma questão política que tem de ser enfrentada e depende exclusivamente do presidente Fernando Henrique Cardoso", disse o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP). Ele lembrou que o governo deveria tratar o caso com o mesmo empenho demonstrado na repatriação da brasileira Lâmia Maruf, que pertencia a uma organização palestina e foi expulsa no ano passado de Israel, depois de ter cumprido pena por assassinato de um soldado judeu. Os dez seqüestradores já cumpriram oito anos e três meses de prisão em regime fechado, tempo que já lhe daria o direito legal de reivindicar pelo menos a liberdade condicional. A justiça paulista negou, no entanto, todos os recursos pedindo a progressão da pena. Segundo a comissão de parlamentares, os presos estão tranqüilos, mas decididos. |
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