Recife, Terça-Feira, 14 de Abril de 1998

Sem-terra criticam candidatos

Fabíola Mendonça
Da equipe do Diário

A prática política das três forças que disputam o governo do estado não traz novidades para os trabalhadores do campo. Os três primeiros anos da atual administração do governador Miguel Arraes (PSB) são definidos pelos movimentos camponeses como inoperantes e sem compromisso com a causa do campo. O PFL, que dá sustentação ao ex-prefeito Jarbas Vasconcelos (PMDB), é apontado como uma das forças mais comprometidas com os latifundiários, e o senador Carlos Wilson (PSDB) é citado pelos sem terra como o candidato mais próximo do neo-liberalismo do governo federal.

"Não podemos esperar muita coisa de Jarbas Vasconcelos e do PFL. Eles sempre fizeram um governo voltado para a elite, preocupado em estruturar os fazendeiros e desarticular os trabalhadores rurais", ataca Jaime Amorim. O líder do MST cita o exemplo de um programa desenvolvido pelo governo de Joaquim Francisco (PFL), entre 91 e 94. Segundo Amorim, quando governador, o pefelista negociou terras na zona canavieira do estado em troca de quitação de dívidas com usineiros, num valor superfaturado.

"Não passou de uma obra eleitoreira, pois não resolveu nem de longe o problema, e até hoje, não conseguimos reverter a situação", destaca, acrescentando que projetos semelhantes aconteceram nas gestões dos também pefelistas Marco Maciel e Roberto Magalhães. Um exemplo mais atual da ligação do PFL com setores latifundiários é o que está acontecendo em dois acampamentos na Mata Norte do Estado, em terras do grupo João Santos.

Segundo Padre Hermínio Canova, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), dois engenhos de Araçoiaba e Tracunhanhém já tinham sido vistoriados e declarados pelo Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) como terras improdutivas. Depois de uma determinação do vice-presidente Marco Maciel (PFL), o assentamento das terras foi paralisado e o processo está emperrado na secretaria do Instituto

ASSISTENCIALISMO

Se na trajetória política do estado Arraes tinha uma ligação histórica com os movimentos no campo, hoje, ao final do terceiro mandato de governador, partindo para um quarto, a realidade é outra. Em 86, esteve na mesma chapa majoritária que o usineiro Antônio Farias, e em 94, defendeu o nome do também usineiro Armando Monteiro Filho para senador. O MST carrega alguns traumas da Polícia Militar de Pernambuco, que tem a prática de bater e até assassinar trabalhadores no campo.

"Passamos os três primeiros anos do governo Arraes apanhando da polícia. Nem mesmo no massacre de Camarasal, em Nazaré da Mata, onde dois líderes sem terra foram assassinados, o governador nos deu uma resposta.


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