Recife, Terça-Feira, 14 de Abril de 1998

Cadoca quebra silêncio

Depois da estratégia do PFL que suspendeu o empréstimo de R$ 700 milhões como antecipação da privatização da Celpe, o PMDB, de Jarbas Vasconcelos, resolveu quebrar o silêncio e questionar a venda das ações da Companhia. O secretário geral do partido, deputado estadual Carlos Eduardo Cadoca, criticou, ontem, a operação e admitiu que a aliança vai utilizar o processo de privatização da estatal para tirar proveito na campanha eleitoral.

Cadoca lembrou o processo que levou a Assembléia Legislativa a autorizar a privatização da Celpe, com sessões durante fim-de-semana e feriados para, segundo ele, evitar a fiscalização da sociedade. "Agora, o governo está montando uma operação sigilosa para vender ações da empresa, podendo levar o estado a ter prejuízos. A operação montada na calada da noite vai servir de munição para a nossa campanha", confessa.

Para o deputado, a venda das ações da Companhia é uma demonstração de desespero e utopia de que com a chegada dos recursos para o estado, o quadro eleitoral, onde Jarbas Vasconcelos desponta nas pesquisas, seja revertido, e o governador Miguel Arraes (PSB) passe a liderar os índices. "Nada disso vai dar resultado, pois Jarbas ganha a eleição com ou sem a venda da Celpe", ressalta Cadoca, apostando numa conscientização dos eleitores.

PREJUÍZOS

Na avaliação de Cadoca, a venda das ações da Celpe no mercado causará prejuízo, uma vez que "uma ação vendida sem garantia do controle acionário da empresa, o que se dará somente no processo de privatização, tem um preço infinitamente menos". O peemedebista acusa a equipe do governador Miguel Arraes de articular um novo golpe aos cofres públicos, fugindo da fiscalização do Banco Central e do Senado.

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