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| Recife, Terça-Feira, 14 de Abril de 1998 |
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Doença de Motta prejudica reforma Ausência do ministro desarticula o governo no Congresso e coloca emenda da Previdência em xeque BRASÍLA - Este ano a ausência do ministro das Comunicações, Sérgio Motta, por sucessivas vezes, para tratar da saúde, desarticulou o governo no Congresso. Os aliados do Palácio do Planalto estão procurando uma maneira de salvar a reforma da Previdência sem a preciosa ajuda do Serjão, o operador do governo em todas as votações importantes, mas estão desanimados com o afastamento do ministro tucano. "O Serjão faz muita falta e o poder de articulação do governo diminui muito sem ele", lamentou o relator da reforma da Previdência e amigo de Motta, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP). O relator disse que os líderes aliados do presidente Fernando Henrique Cardoso tentarão esta semana iniciar a mobilização das bancadas para engatilhar a votação da emenda da Previdência na semana do dia 28, mas a idéia predominante no Palácio do Planalto é que a ausência de Motta exigirá uma articulação direta do próprio presidente Fernando Henrique Cardoso, se quiser ver a reforma aprovada. "Enquanto nos mobilizamos, estaremos esperando a recuperação de Sérgio Motta", continuou Madeira. Embora tente, o relator não consegue reverter o clima de desalento entre os aliados. "Não sei como vamos votar a reforma da Previdência", avaliou, descrente, o deputado Roberto Brant (PSDB-MG). O tucano lembra que não há no governo, abaixo do presidente, alguém com autoridadade implícita e temperamento para resolver os problemas do governo com o Congresso e deslanchar votações nos momentos nos quais a relação com a base de apoio parlamentar se torna mais difícil. "Se não fosse Sérgio Motta, o governo de Fernando Henrique no Congresso teria sido um fracasso", afirma o parlamentar do PSDB. Brant não vê a reforma da Previdência e outras votações no Congresso como único prejuízo político causado pelo afastamento do ministro das Comunicações. O partido divide com o governo o desalento pela falta que Motta faz em Brasília. "Com o Serjão de molho, o PSDB sai da cena e os reflexos na campanha serão sentidos", comentou Brant. Sem Motta por perto, o PSDB fica desfalcado do principal líder e o governo perde o melhor mediador entre ele e a base no Congresso. Motta é o ministro que mais recebeu parlamentares durante o governo de Fernando Henrique - atuação indispensável para resolver os problemas de comunicação entre governo e deputados e senadores. "Em todas as votações, Motta teve uma participação fundamental e seu espírito guerreiro sempre ajudou o governo a dissolver os problemas com o Congresso", avaliou o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Na aprovação da emenda da reeleição, na eleição do deputado Michel Temer (PMDB-SP) para a Presidência da Câmara, na aprovação da reforma administrativa e nas etapas da reforma da Previdência, a presença de Motta fez diferença. Aliado mais poderoso do governo, o PFL chegou a ter atritos sérios com Motta. Com o líder pefelista na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), o ministro tucano bateu boca, mas depois resolveu as diferenças com quem chamava de parceiro. Quando a cúpula do PFL teve o diagnóstico da doença instersticial pulmonar de Motta, no retorno do ministro de Denver (EUA), os dirigentes pefelistas ficaram muito preocupados. |
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