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Morte silenciosa ronda o Sertão
Enterros em cemitérios clandestinos da região ocorrem sem o conhecimento das autoridades de Saúde
Ricardo Novelino Da equipe do DIÁRIO
Nas duas últimas semanas, quatro novas covas de crianças com menos de um ano de idade mudaram a paisagem do minúsculo cemitério do distrito de Manari Velho, distante 50 quilômetros de Inajá. O local faz parte de um município paupérrimo em que o dinheiro para a saúde não ultrapassa os R$ 5 mil por mês, localizado no sertão do Moxotó, a 450 quilômetros de Recife. No primeiro domingo deste mês, um garotinho de nove meses foi fulminado pela desnutrição. As mortes desses anjinhos, como são conhecidos os bebês mortos na região, entretanto, não entraram nas estatísticas da mortalidade da cidade de população de 11 mil habitantes. Assim como em Inajá, a subnotificação dos óbitos no semi-árido nordestino é um fenômeno assustador. A causa é simples: a disseminação descontrolada dos cemitérios clandestinos na área.

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