Recife, Domingo, 12 de Abril de 1998
Dorival Elze Os irmãos Leandro Ivo e Nélson Ivo são exemplos de dedicação ao violino e à música clássica

A via crucis do músico clássico

o dia-a-dia sacrificado dos jovens que sonham com um futuro na música clássica

Ivana Moura
Da equipe do DIÁRIO

Leandro Ivo tem 10 anos, mora no morro do Alto do Céu, na periferia do Recife, e está muito pouco interessado em Carla Perez ou na Xuxa. "Robert Schumann", responde sem piscar, quando alguém lhe pergunta quem é o músico que mais gosta. Leandro e o irmão Nelson dividem um violino desde o último dia 3 - embora estudem música há quatro anos -, porque a mãe, uma empregada doméstica, não tem dinheiro para comprar outro. Eles querem fazer parte da legião de músicos que dedica milhares de horas da juventude para passar a o resto da vida dando duro, tocando música clássica. Isso porque a vida de um profissional formado em Música no Brasil - e especialmente no Nordeste - é muito dura. Eles recebem um salário médio de R$ 600 para tocar em orquestras sinfônicas, que é praticamente seu único mercado.


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João Alberto

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